Peugeot muda foco no Brasil e aposta no luxo com a chinesa Dongfeng

Stellantis reposicionará Peugeot no Brasil com veículos da parceira Dongfeng
Redação QG do Automóvel
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Esqueça a imagem da Peugeot focada em produtos de entrada e travando batalhas pelo volume de vendas no Brasil. A Stellantis bateu o martelo sobre o futuro da tradicional marca francesa no País: daqui para frente, a montadora atuará em nichos específicos de mercado, tendo a sofisticação e a tecnologia como seus principais pilares.

Para viabilizar esse reposicionamento profundo — que também atinge, em menor escala, a Citroën —, a Stellantis usará uma carta estratégica de peso: sua cooperação internacional com a gigante chinesa Dongfeng.

O reposicionamento das francesas na Stellantis

Em conversa recente com a imprensa especializada em Belo Horizonte (MG), Herlander Zola, presidente da Stellantis na América do Sul, detalhou a nova rota do grupo. Segundo o executivo, as marcas francesas terão atuações distintas e complementares em relação à Fiat e à Jeep, que hoje lideram os emplacamentos da empresa na região.

  • Peugeot: Foco em tecnologia, design premium e nichos de mercado, distanciando-se do segmento de entrada.
  • Citroën: Missão de complementar a oferta da Fiat no País, oferecendo soluções acessíveis e racionais.

Zola lembrou que muitos dos produtos lançados após a fusão entre PSA e FCA ainda faziam parte de projetos anteriores à criação da Stellantis, o que acabava gerando uma concorrência interna entre os carros do próprio grupo. A nova fase visa eliminar esse sombreamento.

A conexão com a China: Plataformas da Dongfeng

O futuro premium da Peugeot no Brasil passa diretamente pelo aproveitamento de plataformas, tecnologias e veículos desenvolvidos em parceria com a Dongfeng. A colaboração entre as empresas, que remonta à década de 1990, foi revigorada nos últimos meses com a criação de uma joint venture internacional.

Zola usou como exemplo dois modelos eletrificados (incluindo um SUV) recém-exibidos no Salão de Pequim. Estes veículos, que serão fabricados pela Dongfeng na Ásia, indicam claramente o caminho tecnológico que a Peugeot seguirá em solo brasileiro.

“Dependerá da competitividade que conseguirmos alcançar em cada mercado!”, ressaltou Zola ao explicar que os projetos em análise são globais e poderão ser utilizados por outras marcas do conglomerado.

A dura realidade do mercado atual

A mudança de estratégia vem como resposta a um desempenho comercial que ficou abaixo do esperado após a centralização da produção da Peugeot na Argentina, iniciada há três anos. Os números são claros:

  • A Peugeot fechou o primeiro semestre deste ano com apenas 0,6% de participação no segmento de automóveis.
  • No ano passado, o número foi de 1%, abaixo do 1,6% registrado em 2021.

Na época da criação da Stellantis, a meta (projetada por Antonio Filosa) era colocar a dupla Peugeot-Citroën no patamar de 5% de participação em até três anos. A Citroën até esboçou reação com o projeto C-Cubed (novos C3, Aircross e o futuro Basalt), subindo de 1,3% para 1,9% em 2023. Porém, isso não compensou a perda de produção dos modelos 208 e 2008 no Brasil, o que havia gerado ociosidade na fábrica de Porto Real (RJ) — agora reativada com a produção do Jeep Avenger.

Dongfeng no Brasil: Stellantis descarta a Nissan

O executivo já havia admitido que a Stellantis estuda não apenas a distribuição de veículos da Dongfeng na América do Sul, mas também a produção local desses carros de origem chinesa.

Essa possibilidade ganhou contornos interessantes após a Dongfeng afirmar, em abril, que negociava uma montagem com a Nissan, em Resende (RJ). Questionado se a marca chinesa poderia ter carros feitos tanto pela Stellantis quanto pela Nissan no Brasil, Zola foi enfático:

“Não. Ou uma ou outra”.

Segundo ele, os planos da Stellantis ganharam força com o acordo global firmado em abril, bem depois de a marca asiática iniciar conversas com a operação fluminense da marca japonesa.

O futuro é eletrificado (e rápido)

Seja com a Dongfeng ou com a Leapmotor — outra fabricante chinesa parceira que terá veículos montados em Goiana (PE) a partir de kits importados já em 2027 —, o recado da diretoria é urgente. “Precisamos ser mais rápidos”, cravou Zola sobre a necessidade de ter produtos eletrificados globais disponíveis localmente.

Enquanto a Fiat, Jeep e RAM continuam sendo os grandes motores de volume, rentabilidade e liderança do grupo (especialmente no segmento de picapes e SUVs), Peugeot e Citroën inauguram um novo capítulo de sua história no Brasil, onde a qualidade passará a importar muito mais do que a quantidade.

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