Avanço chinês na Argentina derruba exportações de veículos brasileiros

Produção brasileira esbarra agora em um obstáculo além das fronteiras: a forte queda nas exportações, impulsionada pela perda de espaço para as montadoras chinesas na Argentina.
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Embora o mês de abril tenha registrado um leve respiro nas vendas externas — totalizando 43,2 mil embarques (uma alta de 8,2% em relação aos 39,9 mil de março) —, o saldo geral continua no vermelho. Ao compararmos com abril do ano passado, a queda é de 11,7%.

O cenário no acumulado do primeiro quadrimestre é ainda mais preocupante:

Exportações totais (Jan-Abr): 134,1 mil veículos (leves e pesados).
Queda: 16,9% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram exportadas 161,3 mil unidades.

O Fator Argentina e a “Invasão” Chinesa
Igor Calvet, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), destacou que o maior ponto de tensão no comércio exterior é a acentuada perda de market share no mercado argentino, historicamente o maior parceiro comercial do Brasil no setor automotivo.

Nos primeiros quatro meses do ano, o Brasil enviou apenas 71,1 mil veículos para o país vizinho, um recuo alarmante de 30% frente às 101,5 mil unidades do ano anterior. O detalhe que acende o sinal de alerta: o mercado argentino encolheu apenas 5,7% (de 217 mil para 205,1 mil emplacamentos) no mesmo período. Ou seja, o Brasil não está exportando menos apenas porque os argentinos estão comprando menos carros; o Brasil está sendo substituído.

Quem está ocupando esse espaço? A China. O avanço asiático foi o tema central de reuniões recentes durante a Automekanica de Buenos Aires, envolvendo associações de montadoras e autopeças de ambos os países.

O site Autoblog ilustra bem essa mudança de paradigma: com apenas seis meses de operação na Argentina, a BYD já desponta como a oitava marca mais vendida do mês passado, deixando para trás gigantes tradicionais como Citroën, Jeep, Mercedes-Benz e Nissan. E a ofensiva não para por aí: marcas como Geely, Leapmotor, Changan e Chery têm planos agressivos de expansão no país vizinho para este ano.

Outros Mercados: Altos e Baixos
Enquanto o sinal de alerta soa na Argentina, o comportamento das exportações brasileiras para outros mercados latino-americanos se mostra misto:

México: Registrou uma retração de 6,2% nos embarques de produtos brasileiros.
Colômbia: Apresentou um salto positivo e expressivo de 51,4%, passando de 9,6 mil para 14,5 mil unidades exportadas.
A indústria brasileira agora tem o desafio de se reinventar e buscar maior competitividade para não perder sua relevância no xadrez automotivo sul-americano frente à rápida e eficiente máquina produtiva chinesa.

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