BYD negocia fábricas ociosas e cogita compra de marcas tradicionais

Tratativa foi revelada pela vice-presidente global Stella Li à agência Bloomberg
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A estratégia de compartilhamento e ocupação de plantas industriais, um movimento que vem ganhando força no Brasil, está prestes a tomar proporções globais pelas mãos da BYD. A gigante chinesa de veículos eletrificados confirmou que está em negociações avançadas para assumir fábricas subutilizadas de montadoras tradicionais no continente europeu.

A revelação foi feita por Stella Li, vice-presidente global da BYD, em entrevista à agência Bloomberg durante a conferência Future of the Car, promovida pelo Financial Times em Londres.

O “Modelo Brasileiro” em Escala Global
Para o mercado brasileiro, essa dinâmica de otimização de espaço não é novidade. Recentemente, acompanhamos movimentações importantes nos bastidores da indústria nacional:

Geely e Renault: Parceria para uso da planta em São José dos Pinhais (PR).
GAC e HPE: Acordo para produção na fábrica de Catalão (GO).
Omoda & Jaecoo e JLR: Expectativa de ocupação da unidade em Itatiaia (RJ).
Agora, a BYD quer replicar essa lógica de aproveitamento de capacidade ociosa na Europa, um dos mercados mais disputados e estratégicos do mundo para a transição energética.

A Mira na Stellantis e a Busca por Independência
Durante a entrevista, Stella Li citou textualmente a Stellantis como uma das empresas com as quais a BYD tem conversado, embora tenha ressaltado que o diálogo se estende a outras fabricantes. “Estamos buscando qualquer fábrica disponível na Europa, pois queremos utilizar esse tipo de capacidade ociosa”, afirmou a executiva.

Procurada, a Stellantis preferiu não comentar as declarações. No entanto, o conglomerado de 15 marcas — hoje presidido por Antonio Filosa, velho conhecido do mercado brasileiro — já demonstrou abertura para modelos de produção compartilhada. Um exemplo claro é a parceria com a chinesa Leapmotor (da qual a Stellantis detém 25%), que começará a produzir seus carros elétricos e híbridos em instalações da empresa na Espanha.

Apesar de buscar o espaço físico de concorrentes, a BYD é categórica quanto ao controle da operação. A marca descarta o modelo de joint venture para a linha de montagem:

“É muito difícil fazer parcerias e pedir permissão a outra pessoa. Preferimos administrar tudo sozinhos. Fazemos parcerias com todas as montadoras para vender baterias ou trabalhar com elas em diferentes aspectos, mas não na produção”, cravou Li.
A executiva revelou que a BYD tem uma lista restrita de países de interesse, com destaque para a Itália e a França.

Aquisição de Marcas Tradicionais no Radar?
Além de expandir sua capacidade produtiva em solo europeu, a BYD não descarta um movimento ainda mais agressivo: a compra de marcas de carro tradicionais que estejam passando por dificuldades financeiras ou estruturais.

Embora o tom seja de cautela, a porta está aberta. “Estamos estudando. Mas ainda não tomamos nenhuma providência nesse sentido”, concluiu Stella Li, deixando claro que o apetite da montadora chinesa pelo mercado europeu vai muito além da simples exportação de veículos.

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