A fabricante chinesa Omoda Jaecoo está com o pé no acelerador para consolidar sua operação no mercado nacional. Em uma entrevista exclusiva realizada na sede da Chery Automobile (dona da marca) em Wuhu, na China, o CEO global da empresa, Shawn Xu, detalhou a ambiciosa estratégia da montadora para o Brasil.
Com profundo conhecimento do nosso mercado — onde atuou como presidente da Chery do Brasil por três anos e meio —, Xu cravou que ter uma linha de montagem em solo nacional é uma questão de “sobrevivência” e confirmou o início da produção para o início de 2027.
A Escolha da Fábrica e o Polo de Exportação
Embora o executivo ainda mantenha sigilo contratual sobre o local exato da planta, as negociações apontam fortemente para a aquisição da fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia (RJ). A unidade, que atualmente encontra-se subutilizada, seria o cenário perfeito para um início rápido de operações, dispensando o tempo de construção de uma planta do zero — algo que normalmente levaria até dois anos.
Produção Rápida: A marca planeja finalizar o acordo e a estruturação ainda este ano para iniciar a montagem no começo de 2027.
Hub Regional: A futura fábrica brasileira não atenderá apenas ao mercado interno; ela já está confirmada por Xu como o principal polo de exportação de veículos da marca para a Argentina.
Omoda 5 e Jaecoo 5: Os Protagonistas Nacionais
Quando a linha de produção brasileira for ligada, os primeiros veículos a saírem dela já estão praticamente definidos: os SUVs Omoda 5 e Jaecoo 5. Compartilhando a mesma plataforma e mecânica, a dupla representa a aposta da marca no segmento de alto volume.
De acordo com Shawn Xu, a escolha foi baseada no gosto do consumidor brasileiro, que exige veículos com design marcante, potência e baixo consumo.
Omoda 5: Com foco no design arrojado e esportividade, o modelo tem grande apelo entre o público jovem e projeta vendas agressivas já nos primeiros meses de importação.
Jaecoo 5: Traz um visual mais robusto, inspirado no “estilo Land Rover”. Xu destaca que o modelo tem dimensões compactas e um forte apelo pet-friendly, ideal para consumidores que optam por ter animais de estimação em vez de filhos.
A Aposta nos “Super-híbridos”
A eletrificação será a espinha dorsal do portfólio da Omoda Jaecoo no Brasil. Em vez de adaptar motores antigos, a marca desenvolveu propulsores, transmissões e baterias específicas para seus modelos eletrificados.
Xu fez questão de exaltar o que a marca chama de “super-híbridos” (HEV e PHEV). A principal promessa dessa tecnologia é entregar alta performance mesmo em velocidades de cruzeiro, resolvendo a tradicional perda de fôlego que muitos híbridos sofrem acima dos 100 km/h. Além disso, os modelos híbridos plug-in (PHEV) da marca foram projetados para funcionar com excelência e economia mesmo quando o motorista não tem acesso a uma infraestrutura de carregamento elétrico — um cenário ainda comum no Brasil continental.
O Que Vem Pela Frente: Novos Mercados e Modelos Compactos
A estratégia global da Omoda Jaecoo é agressiva. A marca, que hoje atua em 69 mercados com subsidiárias próprias, planeja chegar a 100 mercados até o final de 2026, incluindo a recente expansão para o Canadá.
Para o Brasil, o futuro reserva ainda mais novidades no segmento de entrada. A empresa já estuda, junto aos seus concessionários parceiros, a introdução dos modelos compactos Omoda 2 e Jaecoo 3. Com cerca de 4,2 metros de comprimento, eles são vistos como opções com enorme potencial de adesão pelo público brasileiro e devem receber versões a combustão, híbridas (HEV) e 100% elétricas (BEV). Os detalhes oficiais desses lançamentos menores devem ser revelados em cerca de seis meses.