Novo Citroën 2CV Elétrico: O retorno do ícone em meio ao “rebaixamento” da marca na Stellantis

Nova geração do modelo será apresentada em outubro no Salão de Paris
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Em meio a uma verdadeira revolução de estratégias financeiras, produtivas e tecnológicas propostas pelo plano global FaSTLAne da Stellantis, uma notícia agitou os bastidores do mercado automotivo. Visando o crescimento e a rentabilidade nos próximos cinco anos, o grupo anunciou o primeiro grande rearranjo do portfólio de suas marcas. O que chamou a atenção? O “rebaixamento” da Citroën ao status de marca regional, uma decisão que certamente não agradou à ala francesa da companhia.

Marcas Globais x Marcas Regionais

Desde a criação da Stellantis em janeiro de 2021 — fruto da gigantesca fusão entre a PSA (Peugeot Citroën) e a FCA (Fiat Chrysler Automobiles) —, este é o reposicionamento oficial mais drástico. Na nova hierarquia, as representantes globais eleitas pelo grupo são:

  • Jeep
  • RAM
  • Peugeot
  • Fiat

A esse quarteto caberá o privilégio de usufruir, em primeira mão, das novas plataformas e tecnologias desenvolvidas pelo conglomerado. Já a centenária fabricante fundada pelo engenheiro André Citroën foi deslocada para o time das marcas regionais, ao lado de Alfa Romeo, Opel, Chrysler e Dodge. Esse grupo possui relevância focada em países ou regiões específicas e receberá os mesmos ativos tecnológicos apenas em um segundo momento.

A distinção entre os dois grupos fica evidente nos números de lançamentos projetados para o mercado europeu até 2030. Enquanto a Peugeot terá sete novidades e a Fiat contará com cinco, a Citroën terá direito a apenas três novos veículos.


A grande surpresa: O retorno do lendário Citroën 2CV

Durante a apresentação da nova estrutura no Investor Day, realizado em Auburn Hills, Michigan (EUA), o CEO da marca, Xavier Chardon, tratou de anunciar um “carinho e tanto” aos admiradores da montadora. Dos três automóveis que chegarão às ruas até 2030, um deles será o renascimento do veículo que melhor resume a trajetória da empresa: o icônico Citroën 2CV.

Com mais de 5,1 milhões de unidades produzidas em mais de 40 anos (a partir de 1948), o modelo que acelerou a motorização da França no pós-guerra está de volta. Desta vez, retornará como uma alternativa de mobilidade totalmente elétrica e de baixo custo. A expectativa é que o hatch custe na casa dos € 15 mil, inserindo-se na estratégia para a categoria E-car da Stellantis, formada por veículos de entrada produzidos na Europa.

“Reinventar o 2CV é um enorme desafio. O 2CV original nunca foi criado para ser um ícone, se tornou um porque deu liberdade às pessoas. Esse retorno não é simplesmente o retorno de um nome lendário, mas de uma ideia ousada e otimista de progresso.”
— Xavier Chardon, CEO da Citroën.


O que esperar do novo projeto?

Com exibição oficial garantida para o Salão de Paris, em outubro, o novo 2CV será fabricado na Itália. Pela silhueta exibida rapidamente em telões durante o Investor Day, o modelo terá linhas que guardam muita semelhança com o projeto concebido originalmente em 1939 (cuja produção foi protelada pela Segunda Guerra Mundial).

Nem Chardon, nem a matriz revelaram as especificações técnicas de motor e bateria. Preferiram focar nas premissas que nortearam o desenvolvimento do elétrico popular:

  • Preço acessível para as massas;
  • Design leve focado na eficiência;
  • Praticidade e versatilidade urbana;
  • Concepção pensada para atender às rigorosas regulamentações de emissões das metrópoles europeias.

Se o rebaixamento da marca gerou dúvidas, o renascimento do 2CV mostra que a Citroën ainda sabe acessar seu DNA histórico para criar soluções inteligentes e acessíveis de mobilidade.

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