Nissan Kait assume liderança da marca, mas Kicks perde fôlego em 2026

Mesmo com o novo modelo, marca segue com participação estagnada no segmento
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O cenário na rede de concessionárias Nissan mudou drasticamente em apenas três meses. O Nissan Kait, o mais novo SUV de entrada da marca japonesa, não apenas “chegou chegando”, como já desbancou o veterano Kicks do posto de modelo mais vendido da fabricante no Brasil.

Em março, o Kait registrou quase 4,5 mil licenciamentos, o que representa impressionantes 50% das vendas totais da marca no mês. O feito é notável pela velocidade: o modelo só começou a chegar em volumes expressivos às lojas em janeiro deste ano. Contudo, por trás do brilho do novo lançamento, os números da Fenabrave acendem um alerta amarelo em Resende (RJ).

A Estratégia de Dupla e o Efeito Colateral
Atualmente, a Nissan opera com uma “dobradinha” de SUVs produzidos em solo fluminense. O Kait e a segunda geração do Kicks (lançada em meados de 2025) respondem por 85% das 18,3 mil unidades comercializadas pela marca no primeiro trimestre de 2026.

Entretanto, o sucesso repentino do Kait parece estar sendo alimentado pelo próprio “irmão”. No jargão do setor, a canibalização é evidente:

Kait: 6,4 mil unidades no trimestre (Preços entre R$ 118 mil e R$ 153 mil).
Kicks: 9 mil unidades no trimestre (Preços entre R$ 169 mil e R$ 200 mil).
Enquanto o Kicks de primeira geração mantinha uma média superior a 4 mil unidades mensais no início de 2025, a nova geração — agora mais sofisticada, com motor 1.0 turbo e design moderno — caiu para a casa dos 3 mil emplacamentos mensais. O resultado? O Kicks despencou da 7ª para a 13ª posição no ranking dos SUVs, sendo ameaçado até pelo Toyota Corolla Cross, que atua em uma faixa de preço superior.

Mercado em Alta, Nissan Estacionada
O ponto mais crítico para a fabricante japonesa não é apenas a troca de liderança interna, mas a falta de crescimento real no “market share”. O mercado brasileiro de automóveis cresceu 7,1% neste início de ano, com o segmento de SUVs saltando robustos 25%.

Na contramão, a Nissan viu suas vendas acumuladas caírem 5% em comparação ao mesmo período de 2025. A participação de mercado da marca segue estagnada em 3%, índice inferior aos registrados em 2024 e 2023. Mesmo com o reforço do Kait (que na prática é uma atualização profunda do antigo Kicks Play), a marca não tem conseguido atrair novos clientes na velocidade esperada, mantendo os mesmos 5,6% de fatia dentro do segmento de SUVs.

O Desafio dos R$ 200 mil
A dificuldade do novo Kicks pode ser explicada pelo seu reposicionamento de preço. Ao encostar na barreira dos R$ 200 mil, o SUV da Nissan entrou em uma “zona de guerra” repleta de concorrentes diretos e indiretos, incluindo modelos híbridos e elétricos que inundaram o mercado nos últimos meses.

O Kait cumpre bem o papel de volume, mas o futuro da Nissan no Brasil dependerá de uma resposta clara: a marca conseguirá expandir seu público ou continuará apenas “trocando seis por meia dúzia” dentro do seu próprio portfólio? Os próximos meses serão decisivos para saber se a estratégia de preços e posicionamento precisará de uma mudança urgente.

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