O ano de 2025 ficará marcado como o “annus horribilis” para a Stellantis. Em comunicado oficial divulgado nesta quinta-feira (26), o gigante automotivo — detentor de 15 marcas icônicas como Jeep, Fiat, Peugeot e RAM — revelou um prejuízo líquido de € 22,3 bilhões. O resultado é um balde de água fria para um grupo que, há pouco mais de quatro anos, nasceu com a promessa de ser a potência máxima da eficiência global.
O Tamanho do Rombo e as Causas
A queda de 2% na receita líquida anual, que fechou em € 153,5 bilhões, foi atribuída a uma combinação de fatores externos e erros estratégicos internos. Segundo a companhia, impactos cambiais desfavoráveis e a redução de preços praticada no primeiro semestre corroeram as margens.
No entanto, o diagnóstico do novo CEO, Antonio Filosa, que assumiu o comando global em junho após a saída de Carlos Tavares, foi mais profundo. Filosa admitiu que o setor — e a própria Stellantis — superestimou o ritmo da transição energética. A aposta acelerada na eletrificação não encontrou o eco esperado no mercado consumidor na mesma velocidade dos investimentos realizados.
O “Fator Filosa”: Uma Luz no Segundo Semestre?
Apesar do prejuízo consolidado assustador, nem tudo foi retração. Sob a gestão de Filosa, o segundo semestre de 2025 apresentou sinais de recuperação:
Crescimento de 10% na receita líquida em relação ao primeiro semestre (atingindo € 79,2 bilhões).
Aprimoramento da qualidade e execução rigorosa de novos lançamentos.
Expansão no Brasil, onde a produção cresceu 12%, consolidando o país como um dos pilares de resiliência do grupo.
“Nosso foco será continuar a sanar as lacunas de execução do passado, impulsionando ainda mais nosso retorno ao crescimento lucrativo”, afirmou Filosa.
Perspectivas para 2026: Pés no Chão
O otimismo para o próximo ano é cauteloso. A projeção da Stellantis para 2026 prevê um aumento de apenas um dígito na receita líquida, com margens operacionais também situadas em um patamar baixo. O objetivo central não é mais a expansão agressiva, mas a correção de rota e a eficiência operacional para estancar a sangria.
