A Nissan acaba de abrir o jogo sobre seu futuro global e, se você achava que a marca japonesa estava confortável, pense novamente. Em um movimento audacioso anunciado em sua sede, a fabricante confirmou que vai enxugar seu portfólio global (de 56 para 45 modelos), focando em eletrificação pesada e Inteligência Artificial.
Mas o que realmente faz os olhos do picapeiro brilharem (ou lacrimejarem, dependendo do seu conservadorismo) é a nova Nissan Frontier Pro. Esqueça o DNA puramente japonês ou a montagem argentina: a nova geração é fruto de uma parceria com a gigante chinesa Dongfeng e traz um canhão sob o capô que promete deixar muito motor V6 a diesel comendo poeira.
O DNA Chinês: Uma Frontier Maior e Mais Musculosa
Diferente da picape que temos hoje nas concessionárias brasileiras, a Frontier Pro não tem parentesco direto com o modelo atual. Baseada na plataforma da Dongfeng Z9, ela é nitidamente maior. Estamos falando de uma “bruta” com 5,52 metros de comprimento e um entre-eixos de 3,30 metros — porte suficiente para impor respeito em qualquer semáforo ou estrada de terra.
Enquanto a versão atual é importada do México, a Frontier Pro já está em testes de homologação em solo brasileiro. A aposta do setor? Um lançamento oficial por aqui até 2027, com a estreia latino-americana ocorrendo já em 2026, começando pelo México.
Desempenho de Esportivo: 435 cv e Torque de Caminhão
O grande trunfo é o sistema híbrido plug-in (PHEV). O conjunto combina um motor 1.5 turbo a gasolina com um motor elétrico traseiro alimentado por uma bateria de 33 kWh.
Potência Combinada: 435 cv (320 kW)
Torque: Impressionantes 81,5 kgfm
Capacidade de Reboque: 3.500 kg
Autonomia: Até 131 km no modo 100% elétrico (ciclo NEDC), totalizando mais de 1.050 km de alcance combinado.
No Brasil, seguindo as normas do Inmetro, essa autonomia elétrica deve cair para cerca de 80 km, o que ainda é excelente para quem quer rodar na cidade sem gastar uma gota de gasolina.
Interior: Luxo Digital e Telas Gigantes
Esqueça a sobriedade excessiva das picapes tradicionais. Por dentro, a Frontier Pro abraça a estética tecnológica chinesa. O destaque é a “parede” de telas: um painel de instrumentos de 10 polegadas e uma central multimídia massiva de 14,6 polegadas.
O volante de dois raios, ostentando o nome “Nissan” por extenso, dá o tom de modernidade. No console central alto, encontramos o seletor de tração e a gestão do sistema híbrido, mantendo alguns botões físicos essenciais para a ergonomia.
Preço e Estratégia de Mercado
O desafio da Nissan será convencer o produtor rural e o público fiel ao diesel. Com as vendas da BYD Shark servindo de termômetro para o segmento de híbridas plug-in, a Frontier Pro precisará de um preço competitivo.
A estimativa é que ela desembarque no Brasil na casa dos R$ 350.000. Na China, ela custa cerca de 250 mil yuans (R$ 187 mil em conversão direta). Considerando impostos de importação e margens locais, o valor projetado a coloca no olho do furacão contra as versões topo de linha de Toyota Hilux e Ford Ranger.


