Caminhoneiros apertam cerco no Senado por MP do frete

Caminhoneiros pressionam o Senado para votar até 16 de julho a MP 1.343/2026, que endurece o piso do frete. Categoria ameaça greve com até 60% de adesão.
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Cerca de 70 lideranças de caminhoneiros passam esta semana em plantão no Senado para pressionar pela votação, até 16 de julho, da Medida Provisória 1.343/2026, a MP do Piso do Frete. O grupo, liderado por Wallace Landim, o Chorão, ameaça uma greve nacional com adesão de até 60% da categoria se o texto não for votado a tempo.

Pressão em Brasília e relógio contra o Senado
A medida, assinada em 19 de março de 2026 e aprovada pela Câmara em 17 de junho, trava no plenário do Senado em plena véspera do recesso parlamentar, que começa em 18 de julho. O prazo final para análise é o dia 16. Se a MP caducar, as regras atuais continuam valendo e a categoria promete parar o país.

Chorão afirma que os caminhoneiros chegam a Brasília mais estruturados do que na crise de 2018. “Estamos mais organizados do que em 2018. Essa pauta precisa passar. É um projeto de país, e não de governo”, diz o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava).

O plano é reforçar o cerco na próxima semana com até 120 lideranças em Brasília. As conversas se concentram em gabinetes de senadores e na presidência da Casa, sob comando de Davi Alcolumbre, alvo principal da irritação dos caminhoneiros.

Disputa política trava MP do Piso do Frete
Nos bastidores, lideranças da categoria atribuem o atraso a um embate político entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Alcolumbre. Após conflitos em torno da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, o presidente do Senado teria prometido não pautar projetos do Planalto.

Chorão não poupa adjetivos. “Vejo com muita preocupação que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, esteja envolvido nessa briga de egos e tudo que está vindo do governo federal ele está sentado em cima. Isso não é admissível”, afirma. Ele exige que o texto entre na pauta já na próxima terça-feira, dia 15. “Se a MP caducar haverá paralisação nacional e o responsável por isso será Davi Alcolumbre, presidente do Senado”, completa.

O governo trata a MP 1.343 como peça central de sua resposta às queixas de quem vive na boleia. O texto tenta blindar o piso mínimo do frete, criado após a paralisação de 2018, mas nunca plenamente respeitado. A disputa atual opõe um Executivo pressionado por sua base de apoio nas estradas e um Senado que reage ao Planalto em meio à antecipação do calendário eleitoral.

O que muda para quem vive na estrada
A MP do Piso do Frete endurece o cumprimento do valor mínimo pago por viagem e dá mais poder de fiscalização à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Em termos práticos, embarcadores e transportadoras ficam proibidos de contratar fretes abaixo da tabela definida pelo órgão, sob risco de multa.

O texto, porém, chegou ao Senado já modificado. O relator na Câmara reduziu os valores das sanções aplicadas a quem descumpre o piso. Também flexibilizou punições para empresas reincidentes e abriu a possibilidade de transformar multas antigas em simples advertências. Um trecho aprovado pelos deputados ainda anistia multas ligadas a atos realizados em 2022, o que gerou críticas de parte da oposição.

Mesmo com a suavização das punições, a MP é vista como avanço pelos caminhoneiros, sobretudo pelos motoristas de caminhões de cinco e sete eixos, mais comuns no transporte de grãos e cargas pesadas. “Os caminhões de cinco ou sete eixos não conseguem trabalhar. A chance de equalizarmos a vida do caminhoneiro é agora”, defende Chorão.

Ele argumenta que, sem as mudanças, o transporte rodoviário permanece viável, na prática, apenas para veículos maiores, de nove eixos, que diluem melhor o custo do diesel e da manutenção. Em um cenário de combustível pressionado por conflitos internacionais, qualquer frete abaixo da tabela torna a viagem deficitária, afirma a Abrava.

Quem ganha, quem perde e o risco de nova crise
O endurecimento das regras anima a base de caminhoneiros autônomos e parte das pequenas transportadoras, que veem na MP um freio às práticas de contratação que comprimem o valor do frete. A expectativa do setor é de maior segurança de renda, menos “patrão escolhendo preço” e previsibilidade para honrar prestações de caminhão, pedágios e manutenção.

Do outro lado, representantes do agronegócio, da indústria e de embarcadores apontam para aumento de custos logísticos e maior insegurança jurídica. O temor é que a ampliação dos poderes da ANTT, mesmo com multas reduzidas, gere um ambiente de conflito permanente sobre valores contratados e sobre o que configura descumprimento do piso.

O Brasil depende de caminhões para escoar a maior parte de sua produção agrícola e industrial. Uma paralisação de 60% da categoria, como projeta Chorão caso a MP perca validade, pode afetar o abastecimento de alimentos, combustíveis e insumos básicos em poucos dias. O impacto tende a ser mais rápido em grandes centros urbanos e polos industriais.

Caminhoneiros lembram 2018, quando o bloqueio de rodovias expôs a fragilidade da logística do país. Hoje a categoria diz atuar de forma mais articulada, com canais diretos entre lideranças regionais e entidades nacionais, e aposta na força desse desenho para pressionar o Senado sem, inicialmente, fechar estradas.

Sem votação, Brasília vira palco e estrada, ameaça
As próximas 24 horas são tratadas como decisivas pela Abrava. Chorão pede que Alcolumbre leve a MP a voto antes do dia 16. “Que coloque na pauta para ser votada agora na próxima terça-feira (15), pois a Medida Provisória caduca no dia 16”, insiste.

A escalada da pressão combina corpo a corpo nos corredores do Senado e recados públicos. Se o texto não avançar, lideranças falam em convocar uma paralisação escalonada, com foco inicial em pontos estratégicos de escoamento de grãos e combustíveis, até alcançar, se necessário, 60% dos caminhoneiros.

O Senado entra em recesso em 18 de julho. Se a MP não for votada até lá, perde a validade e o governo precisará reconstruir a negociação praticamente do zero, seja por novo projeto, seja por outra medida provisória. Em qualquer cenário, a relação entre Planalto, Senado e uma categoria essencial para o país sai mais tensa. O desfecho dos próximos dias indica se o frete ganha regras mais rígidas ou se o Brasil volta a flertar com uma crise de desabastecimento nas estradas.

O que é a MP do frete e por que os caminhoneiros querem sua votação?
A Medida Provisória 1.343/2026, chamada MP do Piso do Frete, reforça o piso mínimo do frete rodoviário e amplia a fiscalização da ANTT. Os caminhoneiros defendem a aprovação porque veem na medida uma forma de garantir remuneração mínima por viagem, reduzir fretes abaixo da tabela e tornar economicamente viável o trabalho, sobretudo para caminhões de cinco e sete eixos.

Por que os caminhoneiros ameaçam greve se a MP do frete não for votada?
A MP caduca em 16 de julho se o Senado não votar o texto. Sem a nova regra, o piso do frete continua mais frágil e pouco respeitado, segundo a categoria. Chorão afirma que, nesse cenário, “os caminhões de cinco ou sete eixos não conseguem trabalhar”, o que levaria a uma paralisação com adesão de até 60% dos caminhoneiros.

Quem é Alcolumbre e qual seu papel na votação da MP do frete?
Davi Alcolumbre é o presidente do Senado e controla a pauta de votações da Casa. Sem sua decisão de incluir a MP 1.343/2026 na ordem do dia, o texto não vai a voto. Caminhoneiros o acusam de segurar a proposta por “ego político” em meio a disputas com o governo Lula.

Como a paralisação dos caminhoneiros pode afetar o Brasil?
O país depende majoritariamente do transporte rodoviário para levar alimentos, combustíveis e insumos a cidades e indústrias. Uma greve com até 60% de adesão pode provocar falta de produtos em prateleiras, atrasar entregas no agronegócio, elevar custos para empresas e pressionar a inflação, repetindo, em parte, o cenário de 2018.

Qual a reivindicação principal dos caminhoneiros na greve?
A principal exigência é a votação e aprovação da MP do Piso do Frete pelo Senado até 16 de julho. A categoria quer o piso mínimo respeitado, maior poder de fiscalização da ANTT e regras que, na visão das lideranças, garantam renda mínima para que o caminhão na estrada pague seus próprios custos.

O que os caminhoneiros prometem fazer em Brasília se a MP do frete não avançar?
Cerca de 70 lideranças já fazem plantão no Senado, e a Abrava planeja levar até 120 representantes na semana decisiva. Eles prometem manter a pressão direta sobre senadores, ocupando gabinetes e a área externa do Congresso. Se, mesmo assim, a MP não for votada, dizem estar prontos para chamar uma paralisação nacional das estradas.

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