Na semana encerrada em 2 de maio, os preços médios do etanol hidratado apresentaram recuo em 22 estados e no Distrito Federal (DF), mantendo-se estáveis em duas praças e subindo em apenas uma.
Os dados, levantados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e compilados pelo AE-Taxas, mostram um cenário favorável para quem tem carro flex e prefere o combustível vegetal. No panorama nacional, o preço médio nas bombas recuou 2,15%, fixando-se em R$ 4,56 o litro.
O Mapa dos Preços: Quem paga mais e quem paga menos?
Como de costume, o estado de São Paulo — maior produtor e consumidor de cana-de-açúcar do país — dita o ritmo das quedas. Nos postos paulistas, o recuo foi de 3,16%, levando o preço médio estadual para R$ 4,29 o litro (o menor do Brasil). Foi também em São Paulo que a ANP encontrou o litro de etanol mais barato do país: impressionantes R$ 3,06.
Por outro lado, o Distrito Federal protagonizou a queda mais acentuada da semana: uma redução expressiva de 6,56%, baixando a média local de R$ 5,03 para R$ 4,70.
Os extremos do etanol no Brasil:
Menor preço médio estadual: São Paulo (R$ 4,29)
Maior preço médio estadual: Rondônia (R$ 5,68)
A única alta da semana: Maranhão (+0,19%, passando para R$ 5,26)
O litro mais caro encontrado: Acre (R$ 6,60)
Afinal, Etanol ou Gasolina? A Guerra da Paridade
Na hora de encostar na bomba, a dúvida clássica ressurge: qual combustível escolher? Na média nacional dos postos pesquisados, o etanol registrou uma paridade de 68,37% em relação à gasolina.
A Regra de Ouro: Tradicionalmente, o etanol é considerado mais vantajoso quando custa até 70% do valor da gasolina, devido à diferença de rendimento energético entre os dois combustíveis.
No entanto, essa vantagem matemática absoluta foi observada em apenas quatro estados brasileiros na primeira semana de maio:
São Paulo: Paridade de 65,20%
Mato Grosso do Sul: Paridade de 66,97%
Mato Grosso: Paridade de 67,11%
Paraná: Paridade de 67,60%
Atenção aos novos motores: Executivos do setor automotivo e de biocombustíveis alertam que a velha “regra dos 70%” pode estar ficando obsoleta. Dependendo da eficiência térmica e do mapeamento eletrônico do motor do seu carro (especialmente em modelos turbo de injeção direta mais recentes), o etanol pode ser financeiramente vantajoso mesmo quando a paridade ultrapassa a casa dos 70%. A dica de ouro é sempre zerar o hodômetro e calcular o consumo real do seu veículo.
O Futuro do Etanol: Mais Álcool no seu Tanque
Além da variação de preços nas bombas, o mercado de combustíveis se prepara para uma mudança estrutural importante. O presidente Lula confirmou recentemente que a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, atualmente em 27,5%, vai subir para 30% ou até 32%.
A medida faz parte do pacote de transição energética do governo (Combustível do Futuro), que também prevê aumentos gradativos na mistura de biodiesel ao óleo diesel. Para o motorista, isso significa que, em breve, mesmo ao optar pela gasolina, o carro estará queimando uma proporção significativamente maior de biocombustível.