O mercado automotivo brasileiro segue encontrando no consórcio uma de suas principais vias de aquisição. O sistema fechou o primeiro trimestre de 2026 com saldo positivo e boas perspectivas para o restante do ano, após um início de bimestre tradicionalmente mais lento devido aos feriados, férias e ao menor número de dias úteis.
De acordo com a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), o comportamento dos negócios já começou a retomar a normalidade, refletindo na injeção de bilhões de reais na economia.
Vendas de cotas e crédito em alta
O balanço dos três primeiros meses de 2026 revelou um aquecimento sólido nas vendas. As novas cotas comercializadas atingiram a marca de 917 mil adesões, o que representa um crescimento de 2,8% em relação ao mesmo período de 2025 (quando foram registradas 891,8 mil cotas).
Esse volume de adesões se traduziu em uma movimentação financeira expressiva:
Crédito comercializado (1º tri/2026): R$ 53,2 bilhões.
Crescimento: Alta de 5,6% em relação aos R$ 50,4 bilhões anotados no primeiro trimestre do ano anterior.
O perfil dos consorciados ativos
Outro indicador que reforça a retomada do setor é o salto no número de participantes ativos no sistema. O Brasil passou de 8,8 milhões de consorciados (no início de 2025) para a expressiva marca de 9,58 milhões em março de 2026 — um crescimento de 8,2%.
Contemplações: menos volume, maior valor agregado
Um dado curioso do fechamento do trimestre está no volume de contemplações. Embora o número total de consorciados premiados tenha sofrido uma leve retração de 1,1% (fechando em 418,3 mil pessoas), o volume de crédito concedido a esses clientes aumentou.
No acumulado do trimestre, o valor disponibilizado para a compra de veículos saltou para R$ 25,5 bilhões, uma alta de 6,6% frente aos R$ 23,9 bilhões apurados no mesmo período de 2025. Esse movimento sugere que, impulsionados pela inflação ou pela busca por veículos de categorias superiores, os brasileiros estão investindo em cartas de crédito com tíquete médio mais alto.