O cenário automotivo brasileiro ganhou um novo e robusto protagonista oficial nesta semana. A Aumovio, empresa nascida da cisão da divisão automotiva do Grupo Continental, celebrou seu primeiro ano de independência com um evento de lançamento oficial na Casa Bisutti, em São Paulo.
Sob o comando de Ricardo Rodrigues, country head da operação brasileira, a companhia apresentou um balanço positivo de sua transição e traçou metas ambiciosas para o futuro próximo, focando em um modelo de gestão mais enxuto e na prospecção agressiva de novos clientes.
Independência e Performance Financeira
A Aumovio já nasce como uma gigante global, com um faturamento de € 18,5 bilhões (aproximadamente R$ 110,1 bilhões) em 2025. A operação brasileira, embora represente atualmente 3% do faturamento global, mostra-se estratégica e saudável.
No último ano, a subsidiária local faturou cerca de R$ 3,3 bilhões, e a expectativa é de que esse número salte para mais de R$ 3,4 bilhões ainda em 2026.
“Queremos crescer de 3% a 5% ao ano no Brasil”, afirmou Rodrigues. “O foco agora é agilidade nas decisões e a busca contínua por soluções regionais que atendam às demandas específicas do nosso mercado.”
O “Fator China” e a Transição do Mercado
Um dos pontos altos do encontro foi a análise sobre a crescente presença das montadoras chinesas no Brasil. Enquanto parte da indústria observa o movimento com cautela devido à alta verticalização das marcas asiáticas, a Aumovio vê uma janela de oportunidade.
Rodrigues revelou que, apenas na última semana, a empresa se reuniu com representantes de três montadoras chinesas que já operam no país. A estratégia é clara: adaptar o portfólio para se tornar um parceiro essencial desses novos players, independentemente do modelo de produção que adotem.
Estratégia de Aftermarket: Marcas VDO e ATE
Atualmente, a receita da Aumovio no Brasil está distribuída da seguinte forma:
80% Veículos Leves
20% Veículos Pesados
No entanto, o grande trunfo para aumentar a rentabilidade reside no Aftermarket (mercado de reposição). Hoje, o setor responde por 10% do faturamento, mas a meta é dobrar essa participação para 20%. Para isso, a empresa aposta na força de marcas já consagradas no mercado, como a VDO e a ATE.