Indústria brasileira de pneus em 2025: Queda nas vendas e alerta sobre importações

Queda nas vendas e alerta sobre aumento das importações no primeiro trimestre de 2025.
Redação QG do Automóvel
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A indústria brasileira de pneus enfrentou um início de 2025 desafiador, com uma queda de 3,1% nas vendas internas no primeiro trimestre, totalizando 11,7 milhões de unidades em comparação com o mesmo período de 2024. O balanço, divulgado pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP), reflete o impacto do recuo no mercado de reposição e a crescente pressão das importações, agravada por uma guerra tarifária internacional.

Desempenho do Mercado: Reposição em Queda

O segmento de reposição, que historicamente impulsiona as vendas do setor, foi o principal responsável pelo resultado negativo. As vendas caíram 9,2%, passando de 9,3 milhões para 8,46 milhões de unidades. Apesar do crescimento de 17,4% nas entregas para montadoras de 2,78 milhões para 3,26 milhões de unidades —, o aumento não foi suficiente para compensar a retração geral.
  • Pneus para veículos de passeio: As vendas encolheram 8,5%, totalizando 5,78 milhões de unidades. As entregas para montadoras recuaram 3,1% (1,8 milhão), enquanto o mercado de reposição caiu 10,7% (4,03 milhões).
  • Pneus para veículos de carga: O segmento registrou uma queda de 5,3%, com 1,56 milhão de unidades. As vendas para montadoras permaneceram estáveis em 444,1 mil unidades, mas o mercado de reposição diminuiu 7,1%, para 1,11 milhão.
Ameaça das Importações e Guerra Tarifária
A ANIP expressou preocupação com o aumento das importações, especialmente de pneus asiáticos, que representam cerca de 50% do mercado nacional, contra 10-12% antes da pandemia. A situação pode se agravar devido à guerra tarifária iniciada pelos Estados Unidos, que elevou alíquotas sobre produtos asiáticos. Como resultado, países exportadores, especialmente da Ásia, podem redirecionar seus pneus para mercados como o Brasil, intensificando a concorrência desleal.

“O Brasil poderá ser um dos alvos preferidos, o que tende a intensificar ainda mais a entrada de produtos importados no País, colocando em risco a competitividade da indústria nacional e ameaçando a manutenção de empregos e investimentos no setor”, alerta a ANIP.

A entidade destaca que muitos pneus importados entram no país a preços abaixo do custo de produção nacional, prática que considera predatória. Nos últimos anos, as importações de pneus cresceram significativamente:
  • Em 2024, as importações aumentaram 13,9%, atingindo 54 milhões de unidades.

  • Entre 2017 e 2023, as importações de pneus de carga e passeio cresceram 117%, enquanto as vendas nacionais caíram 18%.

  • Em 2023, os pneus importados para carros de passeio superaram os nacionais, com 31,5 milhões de unidades contra 27,5 milhões.

Impactos na Indústria e Cadeia Produtiva
Com 21 fábricas operadas por 11 fabricantes, a indústria de pneus no Brasil emprega diretamente 32 mil pessoas e gera mais de 500 mil empregos indiretos. A ANIP alerta que o aumento das importações ameaça essa cadeia produtiva, que inclui fornecedores de borracha, têxteis, produtos químicos e aço.

Outro problema é o passivo ambiental. Enquanto fabricantes nacionais cumprem metas de reciclagem (média de 101% de coleta entre 2009 e 2022), importadores acumulam um déficit de 419 mil toneladas de pneus não recolhidos, segundo o Ibama.

Demanda por Medidas Protetivas
Os fabricantes nacionais cobram do governo federal uma defesa comercial mais agressiva. A ANIP solicita:
  • Aumento da alíquota de importação, atualmente em 16%, para até 35%, como proposto à Câmara de Comércio Exterior (Camex).

  • Fiscalização rigorosa de práticas de dumping e preços predatórios.
  • Adoção de políticas semelhantes às de EUA, Reino Unido e União Europeia, que combinam medidas antidumping com proteção ambiental e social.
A entidade também critica a falta de fiscalização do Tread Wear Indicator (TWI), que indica o desgaste dos pneus, essencial para a segurança veicular.

Perspectivas e Desafios
O setor enfrenta um cenário de incertezas. Apesar do crescimento nas vendas para montadoras, a queda no mercado de reposição e a concorrência asiática continuam pressionando os resultados. A ANIP projeta que, sem medidas protetivas, a indústria pode enfrentar riscos de desindustrialização, com redução de investimentos e empregos.

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