Jetour T2 e-AWD: O SUV Híbrido de 618 cv que chega ao Brasil em 2026

PHEV com um motor a gasolina e três elétricos tem potência na casa dos 600 cv
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A Jetour, divisão do grupo Chery focada em veículos com forte apelo aventureiro, já é um sucesso absoluto em mercados exigentes como os Emirados Árabes. Com um nome que remete a agências de turismo, a marca aposta em carros projetados para longas viagens e rotas fora de estrada. No Brasil, sua estreia ocorreu em março com três modelos híbridos plug-in (PHEV): o crossover S06 e os SUVs T1 e T2. No entanto, faltava um ingrediente essencial para quem ostenta tanta vocação lameira: a tração 4×4.

Esse vácuo no portfólio será preenchido nas próximas semanas com a chegada do Jetour T2 com tração integral. Conhecido em outros mercados por uma sopa de letrinhas — como Shanhai T2 PHEV AWD, Jetour T2 i-DM AWD ou Traveller C-DM e-AWD —, o modelo traz um conjunto tecnológico impressionante que promete mudar a forma como encaramos o off-road híbrido.

O Fim do Cardã: Como Funciona o e-AWD
A grande sacada do novo T2 está na sua arquitetura C-DM (Chery Dual Mode), desenvolvida para bater de frente com o sistema DM-i da BYD. A tração integral é puramente eletrônica (e-AWD), eliminando completamente o eixo cardã, a caixa de transferência e o diferencial central mecânico.

No eixo dianteiro, o SUV é impulsionado pelo conhecido motor 1.5 turbo Acteco (com injeção direta), trabalhando em sintonia com dois motores elétricos (P2 e P3) por meio de uma transmissão dedicada de três marchas, a DHT (Dedicated Hybrid Transmission).

A mágica do 4×4 acontece no eixo traseiro, onde foi instalado um motor elétrico independente (P4) de brutais 238 cv, posicionado exatamente onde ficaria o diferencial de um jipe tradicional. Sem conexão mecânica entre os eixos, a harmonia do conjunto é garantida por um software de gerenciamento ultrarrápido. O sistema lê os sensores das quatro rodas milhares de vezes por segundo; se a dianteira patinar, o computador injeta torque instantâneo no motor traseiro, superando a inércia dos antigos acoplamentos viscosos.

Transmissão DHT: O Segredo para a Lama
Enquanto grande parte dos híbridos utiliza transmissões de marcha única (e-CVT), onde o motor a combustão atua apenas como gerador em baixas velocidades, o Jetour T2 aposta em uma caixa DHT de três marchas:

1ª Marcha: Extremamente curta. Permite que o motor a combustão atue paralelamente aos elétricos a partir de 20 km/h. É uma verdadeira “reduzida”, unindo força mecânica e torque elétrico instantâneo para vencer subidas íngremes e terrenos difíceis.
2ª Marcha: Focada na eficiência do uso urbano cotidiano e nas retomadas de velocidade média.
3ª Marcha: Funciona como um overdrive, permitindo cruzeiro a 120 km/h em baixas rotações, garantindo silêncio a bordo e economia de combustível.
Números Superlativos (e um certo mistério no Brasil)
A adição do motor traseiro transforma o desempenho do SUV. Segundo os dados oficiais divulgados na China, a potência combinada salta dos 385 cv da versão de tração dianteira para impressionantes 618 cv, com o torque subindo de 62,2 kgfm para 93,8 kgfm. Essa força catapulta o utilitário de 2.376 kg de 0 a 100 km/h em apenas 5,5 segundos, alcançando 210 km/h de velocidade máxima.

No mercado brasileiro, a marca tem adotado a estratégia de não divulgar a potência combinada oficial, mas a expectativa é que os números impressionem. A bateria também ganha um upgrade na versão 4×4 chinesa, passando para uma unidade da CATL de 43,2 kWh (contra 26,7 kWh do FWD brasileiro). O alcance elétrico declarado é de 208 km (ciclo CLTC), com autonomia total prometida de até 1.300 km com o tanque de 70 litros cheio. No mundo real, espere uma eficiência cerca de 30% menor, mas ainda assim excelente para o segmento.

Robusto nas Medidas, Macio na Pista
Desenhado pelo ex-Porsche Hakan Saracoglu, o T2 tem linhas quadradas, estepe na tampa do porta-malas e leva cinco ocupantes com muito conforto. São 4,78 m de comprimento e 2,80 m de entre-eixos. A vocação aventureira se confirma na ficha técnica:

Altura livre do solo: 220 mm
Ângulo de ataque: 28°
Ângulo de saída: 30°
Capacidade de imersão: 700 mm (com monitoramento em tempo real na multimídia)
Pneus: 255/55 R20 de uso misto.
Para domar a fera, há um seletor no console com os modos Eco, Normal, Sport, Neve, Rocha, Lama, Areia e o curioso “Giro de Tanque”.

Em um breve contato com a novidade em um circuito montado no Aeroporto Beijing Xijiao, na China, a aceleração se mostrou brutal mesmo no modo Eco. Contudo, a suspensão McPherson na dianteira e Multilink na traseira possui um acerto focado no conforto. Ela é extramacia e permite bastante rolagem de carroceria. Ou seja: ele tem mais de 600 cv de força bruta para te tirar da lama, mas no asfalto, o bom senso e a moderação ao volante são essenciais.

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