Desde que deixou o nome Votorantim no retrovisor em 2019, o Banco BV vem acelerando sua presença no mercado brasileiro com uma estratégia clara: foco no crescimento contínuo e na diversificação. E o verdadeiro motor dessa expansão é o setor automotivo.
Hoje, de uma robusta carteira de crédito de R$ 100 bilhões (onde dois terços estão concentrados no varejo), o segmento de carros e comerciais leves já responde por 45% do total. Atuando forte no financiamento de veículos leves, caminhões e motos, a instituição também investe em tecnologia para o setor. Em 2023, o BV lançou o Portal Na Pista, um ecossistema digital focado na compra e venda de modelos usados.
A capilaridade da instituição impressiona: o BV atende cerca de 30 mil lojistas em todo o Brasil. Deste total, metade já anuncia seus estoques no Na Pista, refletindo a rápida aceitação e expansão da plataforma.
Estratégia de peso: foco nos usados e pesados
O financiamento de veículos do BV continua em rota de aceleração. No balanço do primeiro trimestre deste ano, o crescimento registrado ficou na faixa de 10%.
Enquanto muitos bancos fogem de carros mais antigos, o BV encontrou aí um nicho altamente rentável. Nos negócios da instituição, a idade média dos veículos financiados é de 8 anos.
“Os veículos leves ainda são nosso principal negócio, mas também passamos a investir em caminhões usados, sendo que no ano passado lideramos a concessão de crédito nesse novo segmento. Um dos nossos diferenciais é atender o mercado de veículos mais velhos, de até 25 anos. Não são todos os bancos que trabalham com essa amplitude”, revela Jamil Ganan, vice-presidente de Varejo do banco BV.
O termômetro do mercado: Índice IBV Auto
Para entender melhor as oscilações de um mercado tão dinâmico, o banco lançou recentemente o IBV Auto, um índice projetado para mapear a variação de preços no mercado brasileiro de usados.
Os primeiros resultados mostram um mercado aquecido:
Primeiro Trimestre: Alta de 2,16% (o maior índice para o período nos últimos 4 anos).
Mensal: Março registrou alta de 0,71% (superior aos 0,55% de fevereiro, mas abaixo dos 0,90% de janeiro).
Acumulado (12 meses): Crescimento de 7,33% até março, superando com folga o IPCA (inflação oficial), que marcou 3,81% até fevereiro.
Para Ganan, a resiliência da renda e do crédito explica o fenômeno. Mesmo com a taxa Selic em patamar elevado, o menor custo de aquisição dos usados em comparação aos modelos zero-quilômetro — aliado a uma ampla oferta de marcas e faixas de preço — mantém a demanda em alta.
O tombo na revenda dos elétricos
Se o mercado de usados em geral está valorizado, o cenário muda drasticamente quando o assunto é eletrificação. Os dados do banco revelam uma desvalorização acentuada para os carros movidos a bateria.
O VP de varejo do BV explica que a forte desvalorização dos elétricos seminovos é um reflexo direto da guerra de preços dos modelos zero-quilômetro. Com a chegada de novas marcas asiáticas, as montadoras adotaram estratégias comerciais agressivas e derrubaram os preços dos carros elétricos novos, o que puxou rapidamente o valor de revenda dos usados para baixo.
