Fevereiro leve no Brasil: alta de apenas 1,6% em veículos, mas chineses e eletrificados aceleram

Levantamento da K.Lume aponta 176,5 mil licenciamentos em fevereiro, com recuperação gradual do mercado e forte crescimento das marcas chinesas e dos modelos eletrificados
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O mercado brasileiro de veículos leves registrou um crescimento bem modesto em fevereiro de 2026, com aproximadamente 176,5 mil licenciamentos de automóveis e comerciais leves, segundo levantamento preliminar da consultoria K.Lume. Confirmada essa estimativa, o avanço será de apenas 1,6% frente ao mesmo mês do ano anterior, em 2025.

O pequeno impulso veio basicamente do segmento de carros de passeio, que contabilizou cerca de 140,6 mil unidades, o que representa uma expansão de cerca de 4,5% em relação a fevereiro de 2025. Ao mesmo tempo, os comerciais leves voltaram a recuar, com 35,9 mil unidades negociadas e queda de aproximadamente 8% na mesma base de comparação.

Apesar da expansão tímida na comparação anual, o mês mostrou recuperação frente a janeiro, quando foram registrados aproximadamente 162,5 mil veículos licenciados. Em relação ao primeiro mês do ano, o resultado de fevereiro indica alta de 8,7%, e o primeiro bimestre de 2026 é fechado com uma variação positiva global do mercado de apenas 1,3%.

“Uma recuperação mês a mês é esperada até os meses de abril ou maio”, avalia o consultor Milad Kalume Neto. Ele destaca que o desempenho de fevereiro ainda está dentro de um movimento de ajuste gradual do setor, com o mercado tentando se reequilibrar após um 2025 volátil.

Vendas diárias e dias úteis
Fevereiro apresentou vendas médias diárias de 9,8 mil veículos leves, com aumento de 26,8% frente a janeiro e de 12,6% ante o mesmo mês de 2025. Mesmo com o Carnaval sendo considerado ponto facultativo, a K.Lume considerou 18 dias úteis no mês, conforme os critérios bancários, o que ajudou a sustentar o volume médio diário.

Para o mercado, o resultado reforça a ideia de que o pior momento do ciclo parece ter passado, mas a recuperação ainda está distante de um ritmo acelerado.

Varejo x vendas diretas: mudança de tendência
Uma observação relevante do consultor é o empate entre vendas no varejo e no canal direto em fevereiro. “A queda da atratividade no varejo chama a atenção porque, historicamente, os números de vendas diretas só começam a crescer a partir de abril ou maio”, explica Kalume. “Se já iniciam crescimento a partir de março, isso pode indicar desaquecimento do varejo.”

O cenário levanta dúvidas sobre a força real da demanda do consumidor final, já que as vendas diretas (como para frotistas, empresas de telemarketing e governos) costumam ser mais sensíveis a decisões pontuais e a programas de incentivos.

Chineses avançam rápido
Outro ponto forte do mês é o desempenho das marcas chinesas. De acordo com a K.Lume, essas fabricantes alcançaram 22,9 mil emplacamentos em fevereiro, o que representa um salto de 73% em relação ao mesmo mês de 2025. No segmento de automóveis de passeio, a participação delas subiu de 9,8% para 16,3% na mesma comparação.

“A tendência é de aumento para números próximos de 20% em 2026”, afirma a consultoria. O crescimento das montadoras chinesas confirma que o mercado brasileiro está cada vez mais aberto a novas marcas que oferecem boa relação custo‑benefício, designs mais modernos e, em muitos casos, tecnologia de veículos eletrificados.

Eletrificados ganham espaço
Os modelos eletrificados também consolidaram posição: responderam por 28 mil licenciamentos no mês, cerca de 16% do total negociado. Dentro desse total, os híbridos leves lideram, com aproximadamente 15 mil unidades, seguidos pelos veículos elétricos, com quase 8,7 mil emplacamentos, e pelos híbridos plug‑in, com cerca de 2 mil unidades.

O avanço dos eletrificados mostra que o Brasil começa a absorver, aos poucos, a tendência global de descarbonização do transporte. Ainda assim, o mercado como um todo segue muito dependente de modelos a combustão, e o volume de elétricos puros ainda é pequeno em relação ao parque total.

Perspectivas para os próximos meses
Apesar do resultado modesto em fevereiro, o setor vê espaço para melhora gradual até meados do ano. A expectativa de Milad Kalume Neto é de recuperação mês a mês até abril ou maio, contanto que não haja novos choques cambiais, fiscais ou de política econômica.

Ao mesmo tempo, o crescimento estrutural de marcas chinesas e de veículos eletrificados deve remodelar o ranking de montadoras e a distribuição de demanda entre carros convencionais, híbridos e elétricos. Em 2026, o mercado brasileiro parece caminhar para um cenário mais diversificado, ainda que o ritmo de expansão continue lento.

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