O Grupo Renault encerrou o exercício de 2025 com números que refletem resiliência em um cenário global complexo. A companhia reportou um faturamento consolidado de € 57,9 bilhões, o que representa uma alta de 3% em relação ao ano anterior. Apesar do crescimento na receita, o grupo sinaliza cautela para o futuro imediato, prevendo uma margem operacional mais enxuta para 2026.
A Divisão Automotiva, que engloba as marcas Renault, Dacia e Alpine, foi o grande motor desse resultado, gerando uma receita de € 51,4 bilhões. No entanto, a margem operacional consolidada recuou para 6,3% (contra 7,6% em 2024), e o lucro operacional registrou uma queda de 15%, fixando-se em € 3,6 bilhões.
Desempenho Global e o Trunfo Latino-Americano
Enquanto o mercado automotivo mundial cresceu modestos 1,6% em 2025, a Renault acelerou acima da média, com 2,3 milhões de veículos vendidos — uma alta de 3,2%.
O destaque absoluto ficou para as operações fora da Europa. O crescimento internacional foi de 11,7%, impulsionado fortemente pela América Latina, que registrou um salto de 11,3% no volume de vendas. Esse desempenho consolida a região como pilar estratégico para a manutenção da relevância global da marca.
Eletrificação em Alta
A transição energética já é uma realidade consolidada nos balanços da montadora. Atualmente, os veículos eletrificados representam uma fatia generosa do mix de vendas:
14% são modelos totalmente elétricos.
30% são modelos híbridos.
“Em um contexto de mercado desafiador, nossos resultados de 2025 demonstram o compromisso para entregar uma performance consistente”, afirmou o CEO François Provost. O executivo prometeu para as próximas semanas o anúncio de uma nova estratégia voltada ao crescimento sustentável.
O que esperar de 2026: Picape Niagara e Novos Elétricos
Para o ano de 2026, a Renault projeta uma margem operacional menor, na casa dos 5,5%, mas prepara uma ofensiva de produtos sem precedentes.
Na Europa, a aposta recai sobre a renovação do Clio, o novo Twingo E-Tech elétrico e a van Trafic E-Tech. Já para os mercados emergentes, o portfólio ganha robustez com o Renault Boreal (recém-chegado à América Latina) e o Duster na Índia.
Para o público brasileiro e regional, a maior expectativa gira em torno da Niagara. A picape inédita, que será produzida na Argentina, é a grande promessa para elevar o volume de vendas no segmento de utilitários leves ainda este ano.