China intervém em guerra de preços interna, mas exporta “Dumping” para dominar o mundo

Governo da China ordenou que as dezenas de fabricantes locais parem de oferecer descontos cada vez maiores para conquistar mais compradores
Redação QG do Automóvel
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O “Velho Oeste” dos descontos na China está com os dias contados por decreto oficial. Em um movimento sem precedentes, o governo de Pequim interveio diretamente na indústria, ordenando que as dezenas de fabricantes locais cessem imediatamente a guerra de preços canibalística que definia o mercado doméstico nos últimos anos.

O Freio de Mão de Pequim
As novas diretrizes são drásticas e não admitem interpretações: está proibida a venda no atacado por valores inferiores ao custo de produção. Mais do que isso, o governo blindou as concessionárias, proibindo pressões das montadoras para baixarem preços artificialmente. Para garantir o cumprimento, uma plataforma on-line de vigilância foi criada para caçar fraudes em tempo real.

O objetivo é claro: evitar o colapso financeiro de fabricantes menores e estabilizar um mercado interno que dá sinais de fadiga.

Exportação: A Outra Face da Moeda
Se dentro de casa a regra é “preço justo”, para o resto do mundo a estratégia é o dumping. Enquanto vigia cada centavo no mercado interno, a China ignora solenemente as exportações com preços abaixo do custo. Pelo contrário, o governo tem financiado agressivamente a construção de navios ro-ro (roll-on/roll-off) de última geração para inundar portos estrangeiros com veículos chineses.

É o clássico “façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço”. Pequim parece estar enviando um recado silencioso às nações vizinhas e ocidentais: a crise de demanda interna será resolvida com exportação massiva, e quem se sentir lesado que crie suas próprias regras de defesa.

Sinais de Fumaça no Horizonte Econômico
A exuberância de duas décadas de crescimento chinês começa a perder o brilho. O setor de elétricos, embora dominante, vive um paradoxo. A plataforma Energy News Beat foi enfática ao afirmar que o setor está “perto da crise devido a ineficiências internas”. A sugestão? Um “desfibrilador” econômico na forma de redução de subsídios e consolidação forçada do mercado. Sem isso, as ambições ecológicas do país podem ser arrastadas para o fundo do poço junto com a economia.

O Futuro é Híbrido?
A análise da S&P Global traz números que preocupam: a previsão é de uma queda de 267.000 unidades nas vendas em 2026, reflexo do fim dos incentivos fiscais e do esfriamento econômico.

Neste cenário, a eletrificação pura encontrou um obstáculo. A tendência agora aponta para os híbridos e híbridos plug-in (PHEV) como os verdadeiros pilares de sustentação da indústria para os próximos anos, dividindo o protagonismo com os modelos a bateria. O gigante chinês não está parando, mas está recalibrando a rota sob pressão — e o resto do mundo sentirá o impacto desse novo curso.

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