Manaus-AM – O mercado brasileiro de veículos importados começou 2026 mostrando uma mudança clara de protagonismo. Dados divulgados pela Anfavea revelam que a China ampliou fortemente sua presença no País, enquanto a Argentina — tradicional parceira comercial do setor automotivo — perdeu participação de forma relevante.
Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, as importações de veículos chineses cresceram 61,5% em janeiro, totalizando 16,8 mil unidades, contra 10,4 mil veículos no mesmo mês de 2025. O movimento consolida uma tendência já observada no ano passado, com a China assumindo a liderança entre os países exportadores de automóveis para o Brasil.
Na direção oposta, a Argentina registrou queda expressiva. As compras de veículos do país vizinho recuaram 30,7%, passando de 19,4 mil unidades em janeiro de 2025 para 13,4 mil unidades neste início de ano. O dado chama atenção porque o país mantém um acordo de livre comércio com o Brasil, sem incidência de imposto de importação, vantagem que historicamente sustentou sua liderança no fornecimento de veículos ao mercado brasileiro.
México cresce, mas em ritmo mais moderado
Além da China, o México também apresentou avanço nas exportações de veículos ao Brasil. As importações de carros mexicanos cresceram 7,7%, subindo de 2,6 mil para 2,8 mil unidades no comparativo anual. Apesar do crescimento, o volume ainda é bem inferior ao observado nos dois principais parceiros comerciais do setor automotivo brasileiro.
Importados recuam, enquanto mercado total avança
Mesmo com o forte avanço dos veículos chineses, o balanço geral das importações apresentou retração. De acordo com a Anfavea, as vendas de veículos importados somaram 38 mil unidades em janeiro, queda de 3,3% frente às 39,3 mil unidades registradas no mesmo período de 2025.
Já o mercado total de automóveis e comerciais leves no Brasil teve desempenho positivo, com crescimento de 1,8% no mês, indicando que a retração ficou concentrada especificamente no segmento de importados.
Estoques elevados acendem sinal de alerta
Outro ponto de atenção destacado por Igor Calvet foi o nível de estoques, especialmente dos veículos importados. O volume total — somando modelos nacionais e estrangeiros — subiu de 351,9 mil para 359,4 mil unidades, o equivalente a 57 dias de produção e vendas.
O descompasso fica ainda mais evidente quando se observa a divisão entre nacionais e importados:
Veículos importados: 210,6 mil unidades em estoque, equivalentes a 172 dias
Veículos nacionais: 148,8 mil unidades, equivalentes a 29 dias
Segundo a Anfavea, o elevado estoque de carros importados, principalmente os de origem chinesa, pode gerar distorções no mercado brasileiro, como pressão por redução de preços, aumento de promoções e, consequentemente, queda na rentabilidade das operações locais, afetando montadoras e concessionárias.
Mudança estrutural no mercado automotivo
O avanço chinês e a perda de espaço da Argentina indicam uma mudança estrutural no perfil das importações brasileiras. Com modelos cada vez mais tecnológicos e competitivos em preço, os veículos chineses seguem ganhando aceitação do consumidor, enquanto os tradicionais fornecedores do Mercosul enfrentam desafios para manter competitividade.