Neta Auto enfrenta crise na China, mas mantém planos ambiciosos para o Brasil

Fabricante chinesa de veículos elétricos enfrenta crise no mercado doméstico, mas mantém planos de expansão no Brasil.
Redação QG do Automóvel
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RESUMO POR IA

A Neta Auto enfrenta uma grave crise na China, com protestos de concessionárias devido à não entrega de veículos pagos desde 2024, queda de 98% nas vendas e dívidas com fornecedores, mas mantém planos ambiciosos para o Brasil. Apesar das dificuldades financeiras e paralisações na China, o CEO Fang Yunzhou garante a continuidade da marca, com 49% de ações estatais, e reforça o foco no mercado brasileiro, onde já vende os elétricos Neta Aya e X, planeja 30 concessionárias em 2025 e produção local a partir de 2026, após emplacar 36 unidades no primeiro trimestre.
A Neta Auto, marca de veículos elétricos da chinesa Hozon New Energy Automobile, enfrenta uma crise significativa em seu mercado doméstico, com protestos de concessionárias e dívidas acumuladas. No entanto, a empresa reafirma seu compromisso com o mercado brasileiro, mantendo planos de expansão e produção local. Neste artigo, exploramos os desafios na China e as estratégias da Neta para conquistar o Brasil em 2025.
Protestos e Crise Financeira na China
Na segunda-feira, 14 de abril de 2025, representantes de cerca de 300 concessionárias chinesas protestaram em frente à sede da Neta Auto em Xangai, exigindo a entrega de veículos pagos desde meados de 2024. Segundo os revendedores, a falta de entregas gerou dívidas com bancos e ações judiciais de clientes, agravando a situação financeira. A imprensa chinesa reporta que a Neta paralisou operações comerciais no país, com uma queda de 98% nas vendas: apenas 487 veículos foram licenciados em janeiro e fevereiro de 2025. Além disso, relatos apontam demissões em massa, cortes salariais de até 75% e dívidas com fornecedores desde o ano passado. Apesar dos rumores de falência, a Neta nega a gravidade da situação e busca novos investimentos.

Resposta da Neta: Foco na Recuperação
Em resposta à crise, o CEO da Hozon Auto, Fang Yunzhou, emitiu uma nota oficial garantindo que a empresa passa por “ajustes organizacionais” e está próxima de anunciar novos aportes financeiros. Yunzhou destacou que a Neta possui 49% de ações estatais, sugerindo estabilidade de longo prazo. “Estamos no caminho da recuperação passo a passo”, afirmou o executivo, enfatizando que a crise na China não afetará os planos internacionais, especialmente no Brasil.
Neta no Brasil: Expansão e Produção Local
A Neta Auto chegou ao Brasil em maio de 2024, iniciando vendas em novembro com os modelos elétricos Neta Aya e Neta X. Apesar do início modesto — 36 unidades vendidas no primeiro trimestre de 2025 em lojas em cinco estados e uma concessionária no Rio de Janeiro —, a marca mantém metas ambiciosas:
  • 30 concessionárias até o final de 2025.
  • 20 centros de atendimento em 13 estados, alguns já em operação.
  • Início da produção local em regime CKD a partir de 2026, com capacidade inicial de 15 a 20 mil veículos por ano, podendo chegar a 40 mil.
Yunzhou reforçou que o Brasil é uma “prioridade máxima” entre os 29 mercados onde a Neta atua. A empresa também planeja negociações diretas com frotistas e a introdução de novos modelos, como o Neta L, um SUV elétrico com extensor de alcance, previsto para 2025.

Desafios e Oportunidades no Mercado Brasileiro
Apesar das vendas iniciais tímidas, a Neta aposta na crescente demanda por veículos elétricos no Brasil. A marca enfrenta concorrência de gigantes como BYD e GWM, mas seu foco em modelos acessíveis e tecnologia, como a plataforma Shanhai, pode atrair consumidores. No entanto, os problemas na China levantam preocupações sobre a capacidade da Neta de cumprir suas promessas. A construção de uma fábrica local será crucial para reduzir custos e evitar tarifas de importação, fortalecendo a presença da marca na América Latina.
O Futuro da Neta Auto
A crise na China expõe os desafios de uma startup de EVs em um mercado competitivo, mas a Neta Auto mostra resiliência ao buscar soluções financeiras e priorizar mercados internacionais. No Brasil, os planos de expansão e produção local indicam confiança, mas o sucesso dependerá da execução dessas metas e da recuperação global da empresa. “Não há razão para desistir do mercado brasileiro”, afirmou Yunzhou, sinalizando otimismo para 2025 e além.
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