Alívio no tanque: Gasolina recua para R$ 6,99 em Manaus, mas diesel continua pressionado

Enquanto a refinaria divulga seus valores por obrigação legal, os preços praticados pelas distribuidoras são menos transparentes, o que dificulta a compreensão do mercado.
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Após semanas de tensão nas bombas e no bolso do consumidor, o motorista manauara finalmente tem um respiro. Impulsionada pelos recentes conflitos no Oriente Médio, a gasolina havia atingido patamares assustadores na capital amazonense, mas nesta segunda-feira (27), o combustível retornou à casa dos R$ 6,99.

Por outro lado, quem trabalha com transporte pesado não tem motivos para comemorar: o diesel continua estacionado em indigestos R$ 7,59, refletindo nossa forte dependência do mercado externo e impactando diretamente o custo do frete na região.

A Montanha-Russa dos Preços
No mês passado, o motorista de Manaus viu o litro da gasolina bater os R$ 7,59 — um valor histórico que não era registrado nos postos da cidade desde 2022, ainda sob os efeitos da pandemia.

O mercado, no entanto, começou a ceder gradativamente ao longo deste mês. Acompanhando o alívio das pressões externas e ajustes de mercado, parte dos postos reduziu as placas para R$ 7,29, depois para R$ 7,25, até finalmente ancorar nos R$ 6,99 no início desta semana.

Os Bastidores do Abastecimento: Ream e Distribuidoras
Para entender o que chega à bomba, é preciso olhar para a origem. O abastecimento em Manaus é um quebra-cabeça dividido entre a produção local da Refinaria da Amazônia (Ream) e as importações feitas pelas distribuidoras.

A matemática por trás do preço final, no entanto, esbarra na falta de transparência. Enquanto a Ream tem a obrigação legal de divulgar seus valores, os preços praticados pelas distribuidoras operam em uma “caixa preta” comercial, com contratos diferenciados que fazem com que postos de uma mesma região paguem valores distintos pelo mesmo produto.

Ainda assim, os dados da refinaria mostram o tamanho do impacto da guerra (iniciada no final de fevereiro) nos custos de produção:

O Dilema do Diesel
Se a gasolina deu trégua, o diesel segue como o grande vilão da economia atual. A explicação para o combustível comercial ter sofrido um salto assustador de 75,1% nas refinarias está na logística e na balança comercial brasileira.

O Brasil não é autossuficiente no refino de diesel. Estimativas do setor apontam que entre 25% e 30% de todo o diesel consumido no país precisa ser importado. Com o mercado internacional altamente volátil e pressionado por conflitos geopolíticos, o custo dessa importação dispara.

Como o diesel é o “sangue” que move o transporte de cargas e mercadorias no Brasil, o valor fixado em R$ 7,59 nas bombas de Manaus não afeta apenas os caminhoneiros, mas toda a cadeia de consumo, já que o frete mais caro inevitavelmente chega às prateleiras dos supermercados.

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