O clima esquentou na fábrica da General Motors em São José dos Campos, no interior paulista. Na manhã desta sexta-feira (17), os trabalhadores da unidade aprovaram um aviso de greve em assembleia, abrindo caminho para uma possível paralisação da produção nos próximos dias.
O estopim para a mobilização é um impasse nas negociações referentes à Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de 2026. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região, a montadora tenta alterar os termos de um acordo que já havia sido selado no ano passado.
O Impasse Financeiro
A principal queixa da entidade sindical recai sobre a tentativa da GM de incluir novas metas de absenteísmo, consideradas “inatingíveis” pelos representantes dos trabalhadores. Essa mudança impactaria diretamente o bolso dos metalúrgicos.
Valor preestabelecido da PLR: R$ 20.780
Redução estimada com as novas metas: Cerca de R$ 2.000 a menos por funcionário.
O Sindicato publicou um comunicado logo após a assembleia, destacando que a mobilização visa pressionar a direção da montadora a cumprir o acordo original sem cortes.
Produção em Alta, Clima Tenso
A tentativa de redução nos repasses da PLR ocorre em um momento de otimismo industrial para a planta paulista, responsável pela fabricação da picape média Chevrolet S10 e do SUV Trailblazer.
De acordo com o sindicato, a previsão da General Motors é aumentar o volume de produção este ano.
“É inaceitável que, em um cenário de aumento de produção, a direção da General Motors tente retirar parte da PLR dos trabalhadores. O que defendemos é o cumprimento integral do acordo e vamos à greve, se for preciso”, afirmou Renato Almeida, secretário-geral do Sindicato.
O que diz a General Motors
Procurada para comentar o caso, a General Motors emitiu uma nota confirmando que existe um processo de negociação em andamento com o sindicato. No entanto, a montadora foi categórica ao afirmar que, por política interna, “a empresa não comenta detalhes de negociações em curso”.