
A indústria de duas rodas instalada no Polo Industrial de Manaus (PIM) iniciou 2026 em ritmo acelerado. Além de manter a força no mercado interno, as fabricantes instaladas no Amazonas registraram uma alta expressiva de 18,6% nas exportações durante o primeiro trimestre deste ano, consolidando a presença global do produto brasileiro.
De acordo com o balanço mais recente divulgado pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), foram embarcadas 11.441 unidades entre janeiro e março. O volume supera significativamente as 9,6 mil motocicletas registradas no mesmo período de 2025.
EUA Ganham Relevância e Argentina Lidera
A Argentina continua sendo o destino número um das motos “Made in Brazil”. O país vizinho detém uma fatia de 46,5% do total exportado, somando 9,5 mil unidades no acumulado do trimestre — um crescimento de 3,3% em relação ao ano anterior.
Contudo, a grande novidade do ranking de 2026 é a ascensão dos Estados Unidos. O mercado norte-americano desbancou a Colômbia e assumiu a vice-liderança das exportações brasileiras, com um salto de 20,8% nas compras, totalizando 2,9 mil unidades.
O interesse estadunidense foca em produtos de alto valor agregado:
Modelos Off-road: Representam 40,2% dos embarques para o país.
Categoria Trail: É a preferida, com 58,9% de participação.
Scooters: Têm presença tímida, com apenas 0,9%.
Novos Mercados e Desafios Legislativos
O cenário internacional também revelou surpresas como o Uruguai, que não figurava no ranking em 2025 e agora ocupa a quarta posição, com 1,4 mil motos adquiridas. Por outro lado, Colômbia (-9,5%) e Paraguai (-37,5%) apresentaram retração.
Para Marcos Bento, presidente da Abraciclo, o potencial exportador do Brasil esbarra em questões burocráticas e legislativas na América do Sul. Segundo ele, a falta de uma harmonização nas leis de emissão de poluentes impede que o Brasil venda ainda mais para os vizinhos.
”Nossa legislação é bastante rígida e nossos produtos são compatíveis com a demanda de mercados exigentes, como o dos Estados Unidos e o europeu. Nos países vizinhos, a falta de exigência tecnológica faz com que optem por produtos menos evoluídos de outras localidades”, explica Bento.
Março em Alta
O fechamento do trimestre foi particularmente positivo. Apenas em março, foram exportadas 4.606 unidades, um desempenho 13,9% superior ao mesmo mês do ano passado e impressionantes 29,1% acima do registrado em janeiro de 2026, sinalizando que a indústria mantém a curva de crescimento para o restante do ano.