O mercado brasileiro de caminhões deu sinais claros de reatividade no encerramento do primeiro trimestre de 2026. Após um início de ano morno, os emplacamentos aceleraram em março, registrando uma alta de 32,6% na comparação com fevereiro. Ao todo, 8.766 unidades ganharam as ruas no último mês, contra as 6.611 registradas no período anterior.
O combustível para essa retomada tem nome: Programa Move Brasil. Segundo a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), o pacote de incentivos do Governo Federal foi o grande protagonista dos últimos dois meses, oferecendo condições de crédito mais palatáveis para um setor que vinha sofrendo com a retração econômica.
O Efeito Move Brasil no Crédito
Lançado no início de 2026, o Move Brasil destinou R$ 10 bilhões para o financiamento de caminhões novos e seminovos. O grande atrativo são as taxas de juros, fixadas entre 13% e 14% ao ano — patamares consideravelmente menores do que as praticadas pelo mercado convencional de crédito comercial.
De acordo com Arcelio Jr., presidente da Fenabrave, o impacto total do programa ainda não foi completamente digerido pelas estatísticas de licenciamento. “É preciso lembrar que as contratações não estão totalmente contabilizadas nos licenciamentos. Certamente, as vendas pelo programa estarão refletidas nos próximos meses”, afirmou o executivo durante a apresentação do balanço trimestral.
Atualmente, dos R$ 10 bilhões originais, resta apenas o montante de R$ 1 bilhão, reservado exclusivamente para motoristas autônomos. O restante do recurso já foi totalmente contratado pelas transportadoras.
O Desafio da Renovação da Frota
A Fenabrave já iniciou articulações com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) para que o programa não seja apenas uma ação pontual, mas sim uma política perene. O argumento central é a saúde da malha logística nacional.
Idade Média da Frota: 23 anos.
Pleito da Federação: Renovação do programa e inclusão de ônibus e implementos rodoviários.
O Copo Meio Vazio: Comparação com 2025
Apesar do otimismo com a curva ascendente de março, os números mostram que o setor ainda não recuperou o terreno perdido. Quando comparamos março de 2026 com o mesmo mês de 2025 (onde foram emplacados 9.099 caminhões), houve um recuo de 3,6%.
O cenário no acumulado do trimestre é ainda mais desafiador. O mercado absorveu 21.750 unidades entre janeiro e março deste ano, um volume 19,3% menor do que os 26.946 caminhões registrados no primeiro trimestre do ano passado.
O setor agora aguarda as próximas movimentações de Brasília para entender se o ritmo de março se sustentará sem o “oxigênio” imediato dos subsídios governamentais ou se uma nova rodada de recursos será liberada para manter a roda do transporte girando.