
Depois de um 2025 histórico, onde recordes de vendas foram batidos sucessivamente, o sistema de consórcios de veículos inicia 2026 em uma marcha mais lenta. Os dados do primeiro bimestre revelam um cenário de estabilidade com viés de queda, puxado principalmente pelo segmento de pesados, que enfrenta os ventos contrários de uma economia ainda cautelosa.
Segundo dados da Abac (Associação Brasileira das Administradoras de Consórcio), o total de cotas comercializadas entre janeiro e fevereiro somou 577,24 mil unidades. O volume é ligeiramente inferior aos 583 mil registrados no mesmo período do ano passado. Embora a liberação de crédito tenha se mantido firme na casa dos R$ 33,2 bilhões, o número de contemplações acendeu um sinal amarelo, recuando 12,4%.
Curiosamente, o interesse pelo sistema não diminuiu: o número de participantes ativos saltou 8,5%, atingindo a marca impressionante de 9,56 milhões de brasileiros planejando sua próxima aquisição.
O “Gargalo” nos Pesados
O segmento de pesados — que engloba caminhões, implementos e máquinas — é o que mais sente a retração. As vendas de novas cotas despencaram 15,2%, baixando de 29,5 mil para 25 mil no bimestre.
Essa queda não é isolada ao consórcio. Reflete um movimento de mercado onde o transportador e o produtor rural enfrentam juros elevados e um endividamento que trava novos investimentos. O crédito comercializado no setor acompanhou a queda, recuando 13,5% (R$ 5,5 bilhões), enquanto o tíquete médio estacionou em R$ 234,4 mil.
Leves e Motos: Resiliência em Duas e Quatro Rodas
Se os pesados enfrentam ladeiras íngremes, o setor de veículos leves mantém o volume. Com mais de 310 mil cotas vendidas no bimestre, o segmento continua sendo o pilar do sistema (56,3% dos consorciados ativos). Apesar de uma leve retração de 2,5% nas adesões, o volume de créditos concedidos subiu para R$ 22,52 bilhões, impulsionado por um mercado que ainda vê no consórcio a principal alternativa ao financiamento tradicional.
Já as motocicletas são o grande destaque positivo de 2026 até aqui. O segmento avançou em quatro dos seis principais indicadores. Com alta de 2,8% nas vendas de cotas e um crescimento de 7,6% nos negócios, o setor movimentou R$ 5,12 bilhões. O tíquete médio para quem quer rodar sobre duas rodas subiu 2,9%, refletindo o aumento nos preços das motos zero quilômetro.
Perspectivas
A desaceleração nas contemplações (queda de 19,7% nas motos e 4% nos leves) pode ser atribuída ao calendário: um bimestre com menos dias úteis, feriados prolongados e as tradicionais férias de início de ano.
O desafio para o restante de 2026 será converter o recorde de participantes ativos em entregas reais de chaves, especialmente se a confiança do setor de transportes retomar o fôlego necessário para reaquecer o segmento de pesados.