O setor de veículos pesados no Brasil vive um momento de “copo meio cheio ou meio vazio”, a depender da perspectiva. O balanço consolidado pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) para o mês de fevereiro traz um alento momentâneo, mas acende sinais amarelos sobre a velocidade da retomada econômica.
O Respiro Mensal
Em termos imediatos, os números mostram uma reação. As vendas de caminhões subiram 3,7% na passagem de janeiro para fevereiro de 2026. Foram 6.611 unidades licenciadas no último mês, contra 6.373 no mês inaugural do ano. Embora positivo, esse crescimento é visto pelo setor mais como um ajuste de demanda do que como uma tendência de aceleração.
O Contraste com 2025
A preocupação surge quando olhamos pelo retrovisor. Na comparação com fevereiro de 2025 — quando o mercado absorveu 8.716 caminhões — o tombo é severo: queda de 24,1%.
A fotografia do primeiro bimestre consolidado é ainda mais desafiadora. O mercado brasileiro licenciou 12.984 modelos nos dois primeiros meses deste ano, um recuo expressivo de 27,2% em relação às 17.847 unidades registradas no mesmo período do ano passado.
O Peso dos Juros e o Papel do “Move Brasil”
Para Arcelio Jr., presidente da Fenabrave, o cenário atual é fruto de um “nó” macroeconômico que ainda não desatou. Mesmo com o vigor do programa Move Brasil, que busca incentivar a renovação de frota e o setor produtivo, o custo do dinheiro tem sido o principal freio.
“A decisão de investimento nesse segmento depende diretamente do custo do crédito e das expectativas em relação à atividade econômica”, explica Arcelio Jr.
Segundo o executivo, as taxas de juros elevadas inibem o transportador de assumir financiamentos de longo prazo, essenciais para a aquisição de bens de capital como caminhões. Sem uma sinalização clara de queda no custo financeiro, o mercado deve seguir operando abaixo da sua capacidade instalada, dependendo fortemente de estímulos governamentais para manter o giro mínimo das concessionárias.