Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, o setor de duas rodas no Brasil tem motivos reais para celebrar. Dados recentes divulgados pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) revelam uma transformação no perfil do segmento: a participação feminina nas fábricas e nas ruas nunca foi tão expressiva.
O destaque absoluto fica para o Polo Industrial de Manaus (PIM). Segundo o levantamento consolidado com base em dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o número de trabalhadoras nas linhas de montagem de motos e bicicletas saltou 107% nos últimos dez anos.
O Avanço nas Linhas de Produção
Em 2015, o contingente feminino no PIM era de 1.511 colaboradoras. Ao fechar o balanço de 2024, esse número atingiu 3.134 mulheres. Para efeito de comparação, embora o número de postos ocupados por homens também tenha crescido no mesmo período, o ritmo foi significativamente menor: 55% (passando de 9.817 para 15.250).
Com esse desempenho, as mulheres já representam 17% da força de trabalho direta nas fabricantes do setor, consolidando sua importância técnica e operacional na indústria nacional.
Domínio sobre Duas Rodas: 10 Milhões de Motociclistas
A mudança não está restrita aos bastidores das fábricas. Nas ruas e estradas, a emancipação feminina sobre duas rodas é nítida. O número de mulheres habilitadas a conduzir motocicletas (categoria A) cresceu 64% entre 2015 e 2024.
“Hoje, o Brasil conta com mais de 10,6 milhões de mulheres habilitadas a pilotar motos”, aponta o relatório da Abraciclo.
Há dez anos, esse grupo somava 6,4 milhões de condutoras. Novamente, o crescimento feminino supera o masculino em termos percentuais: enquanto as mulheres avançaram 64%, o número de condutores homens cresceu 35% no mesmo intervalo (chegando a 31,2 milhões atualmente).
Independência e Mobilidade
Essa ascensão reflete uma mudança de comportamento e a busca por autonomia. Seja para o lazer, para evitar o trânsito caótico dos grandes centros ou como ferramenta de geração de renda, a motocicleta tornou-se uma aliada estratégica para o público feminino.
O cenário desenhado pela Abraciclo neste início de 2026 reforça que o “universo de duas rodas”, historicamente dominado por homens, está se tornando cada vez mais diverso, equilibrado e impulsionado pela competência feminina.