O cenário automotivo brasileiro acaba de ganhar um novo e robusto capítulo. O Governo do Estado do Espírito Santo oficializou o projeto da GWM (Great Wall Motor) para a instalação de um complexo industrial no Parque Industrial de Aracruz. A iniciativa, que conta com o suporte estratégico da Agência de Atração de Investimentos (Nova ES), projeta o município capixaba como um dos novos eixos da indústria nacional.
O “Silêncio” da Montadora e o Entusiasmo do Governo
Apesar de uma reunião de cúpula realizada na última terça-feira (24) no Palácio Anchieta, em Vitória, o clima na GWM é de cautela institucional. Enquanto o governo estadual celebra as “novas etapas do projeto”, a montadora chinesa optou por não emitir um pronunciamento oficial imediato sobre o encontro.
Entretanto, o movimento não é surpresa para quem acompanha o setor. Em agosto de 2025, durante a inauguração da unidade de Iracemápolis (SP), o presidente da GWM Internacional, Parker Shi, já havia sinalizado que os planos de expansão da marca no Brasil contemplariam, inevitavelmente, uma segunda planta produtiva.
Detalhes Técnicos: Uma Planta de Ciclo Completo
O novo empreendimento será erguido na região de Barra do Riacho, ocupando uma área útil colossal de 1,7 milhão de metros quadrados. De acordo com o Secretário de Desenvolvimento, Rogério Salume, a unidade não será apenas uma linha de montagem final (CKD), mas sim uma fábrica de ciclo completo.
A estrutura contará com:
Estamparia
Soldagem
Pintura
Montagem Final
Com capacidade nominal de até 200 mil veículos por ano, a planta deve gerar entre 1.500 e 3.500 empregos diretos na fase inicial. No auge da operação, esse número pode saltar para 10 mil postos de trabalho, elevando o patamar socioeconômico da região.
Investimento de R$ 10 Bilhões e Estratégia de Estado
O vice-governador Ricardo Ferraço, que liderou missões oficiais à China em janeiro, reforçou que o projeto integra o plano global de investimentos da GWM no Brasil, orçado em R$ 10 bilhões.
“É um projeto de Estado, muito mais do que de governo. Conseguimos atrair uma fatia significativa desse investimento global para o solo capixaba devido às condições de competitividade que o Espírito Santo oferece”, destacou Ferraço.
O diretor de Assuntos Institucionais da GWM, Ricardo Bastos, corroborou a tese, afirmando que a escolha por Aracruz foi fruto de uma avaliação técnica nacional, onde o “DNA de competitividade” do estado pesou na balança.
Próximos Passos
O cronograma imediato já está definido. O governo estadual confirmou que as próximas fases incluem:
Levantamentos topográficos e sondagens de solo.
Processos de licenciamento ambiental.
Início da terraplanagem e preparação do terreno.