Senacon instaura processo contra Shineray após denúncia da Abraciclo por irregularidades técnicas

Ministério da Justiça instaurou processo administrativo contra a fabricante de motos instalada em Pernambuco
Redação QG do Automóvel
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O Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor (Senacon), instaurou um processo administrativo contra a Shineray, montadora de origem chinesa com operação consolidada no Brasil. A medida é fruto de uma denúncia formalizada pela Abraciclo, entidade que representa as principais fabricantes de motocicletas e bicicletas do país.

A acusação sustenta que veículos da marca estariam circulando sem cumprir requisitos fundamentais de segurança e normas ambientais. O imbróglio, que corre em sigilo desde novembro do ano passado, veio a público esta semana após a Abraciclo publicar um manifesto em defesa da “competitividade justa” e dos direitos do consumidor.

Falta de componentes essenciais
Segundo a denúncia da Abraciclo, motocicletas da Shineray estariam saindo da linha de montagem sem itens críticos para o controle de emissões e funcionamento mecânico seguro, como:

Catalisadores (essenciais para reduzir a poluição);
Cânister (sistema de filtragem de vapores de combustível);
Sistemas de ventilação do cárter.
Em nota oficial, a Abraciclo reforçou que todas as empresas, independentemente do porte ou origem, devem seguir estritamente a legislação brasileira para operar no mercado nacional.

Ascensão meteórica sob suspeita
A investigação atinge a Shineray em seu melhor momento histórico no Brasil. Em 2025, a marca emplacou mais de 130 mil unidades, um crescimento expressivo de 70% em relação ao ano anterior.

Com 6% de market share, a montadora — que possui fábrica própria no Complexo de Suape (PE) e é a única grande fabricante fora do Polo Industrial de Manaus — consolidou-se como a terceira maior força do setor, atrás apenas de Honda e Yamaha.

O Outro Lado
A Senacon notificou a Shineray, que tem o prazo de 20 dias corridos para apresentar sua defesa técnica. Caso as explicações sejam insuficientes, a empresa poderá sofrer sanções administrativas previstas no Código de Defesa do Consumidor.

Em resposta, a Shineray afirmou que seus produtos seguem rigorosamente os padrões técnicos e legais exigidos pelos órgãos reguladores e que sua operação está “plenamente regular”.

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