A montadora chinesa BYD anunciou, durante o lançamento da linha 2026 do híbrido Song Plus, que sua fábrica em Camaçari, Bahia, será inaugurada em 26 de junho de 2025, às 9h. O anúncio foi feito por Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil, que destacou o início da produção do elétrico Dolphin Mini e não descartou a inclusão de outros modelos, como o híbrido Song Pro, na linha inicial. A data antecipa o cronograma original, estipulado em contrato com o governo da Bahia para 20 de julho de 2025, e posiciona a BYD à frente da concorrente chinesa GWM, que planeja inaugurar sua fábrica em Iracemápolis, São Paulo, em abril.
Superando Atrasos e Controvérsias
A BYD enfrentou desafios significativos para cumprir o prazo. Denúncias de condições análogas à escravidão na construção da fábrica, levantadas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) em dezembro de 2024, resultaram na suspensão parcial das obras e na rescisão do contrato com a empreiteira chinesa Jinjiang Construction Brazil. A inspeção revelou que 163 trabalhadores chineses viviam em condições precárias, com jornadas exaustivas, retenção de passaportes e alojamentos inadequados.
Baldy abordou as acusações, afirmando que a BYD substituiu a Jinjiang por uma construtora brasileira, cobriu os custos de repatriação dos trabalhadores chineses e está comprometida em cumprir a legislação trabalhista. “Vamos usufruir do nosso direito de defesa para mostrar que estamos cumprindo as regras locais”, declarou. A empresa também implementou um comitê de compliance e melhorias nos alojamentos, como refeitórios e condições sanitárias adequadas.
Produção e Incentivos Fiscais
A fábrica iniciará operações no modelo SKD (Semi Knocked Down), com montagem de veículos a partir de peças soldadas e pintadas importadas da China. A BYD pleiteia junto ao governo federal a redução da alíquota de importação de unidades SKD de 18% para 10%, argumentando que o processo envolve mão de obra local e futura nacionalização de componentes. A partir de julho de 2025, a tarifa para SKD subirá para 25%, o que tem gerado resistência da Anfavea e de montadoras locais, que veem a medida como desvantagem competitiva.
Baldy defendeu a proposta: “Não achamos justo que o SKD tenha a mesma alíquota de carros prontos, já que o projeto gera empregos e prevê nacionalização progressiva.” A fábrica, que ocupa o antigo terreno da Ford, desativado em 2021, tem capacidade inicial para produzir 150 mil veículos por ano, com meta de alcançar 300 mil até 2028. Além de automóveis, o complexo incluirá unidades para produção de baterias e chassis para ônibus e caminhões elétricos.
Empregos e Impacto Econômico
A BYD já contratou 1,1 mil funcionários para a fábrica e planeja abrir 10 mil vagas diretas até o final de 2025, com 2 mil em janeiro, 3 mil em maio e 5 mil em agosto. O governo da Bahia investiu na capacitação de 500 profissionais locais, com foco em tecnologias automotivas, para atender à demanda. Sindicatos, no entanto, expressam preocupação com a possibilidade de a fábrica priorizar importações de kits SKD, limitando a nacionalização e os benefícios econômicos esperados.
Com um investimento de R$ 5,5 bilhões, a BYD reforça seu compromisso de longo prazo com o Brasil. “Viemos para vender e produzir. Há dois anos e meio preparamos o terreno para crescer no país”, afirmou Baldy. A empresa também planeja atrair fornecedores chineses e locais para aumentar a nacionalização para até 70% em cinco anos.