O setor de autopeças no Brasil registrou um déficit comercial de US$ 3,7 bilhões no primeiro trimestre de 2025, um aumento de 24,5% em relação aos US$ 2,9 bilhões do mesmo período de 2024, conforme relatório da Sindipeças publicado em seu site. Apesar do crescimento das exportações em março, as importações, especialmente da China, impulsionaram o saldo negativo. Acesse o relatório completo.
Crescimento das Importações Supera Exportações
As importações de autopeças totalizaram US$ 5,6 bilhões no trimestre, um aumento de 18,2% em relação ao primeiro trimestre de 2024. Já as exportações atingiram US$ 2 bilhões, com crescimento mais modesto de 8,1%. Em março, as exportações cresceram 21,8% em comparação com fevereiro, superando o aumento das importações (7,3%), mas isso não foi suficiente para reverter o déficit acumulado.
A China permaneceu como principal origem das importações, respondendo por 20% do total, com compras de US$ 1,1 bilhão — um aumento expressivo de 30,4% em relação a 2024. Esse crescimento reflete a demanda por componentes para veículos elétricos e híbridos, que incorporam tecnologias não disponíveis localmente, como destacado em relatórios anteriores da Sindipeças.
Argentina Impulsiona Exportações Brasileiras
A recuperação econômica da Argentina teve impacto positivo nas exportações brasileiras de autopeças. O país foi o principal destino no trimestre, com 38,5% do total exportado, equivalente a um aumento de 26,6% em relação ao mesmo período de 2024. Esse crescimento é um reflexo da estabilização econômica argentina, conforme apontado pela Sindipeças.
Os Estados Unidos, segundo maior mercado, receberam US$ 309,7 milhões em autopeças brasileiras, com alta de 2,6%, representando 15,7% das exportações totais. Outros mercados, como México e Alemanha, também registraram aumentos, mas em menor escala.
Contexto do Mercado Automotivo Brasileiro
O aumento do déficit comercial ocorre em um momento de dinamismo no setor automotivo brasileiro. Por exemplo, a Volkswagen lançou o Nivus GTS 2025, um SUV esportivo que compete com o Fiat Pulse Abarth, reforçando a produção local de veículos com apelo esportivo. Além disso, a BMW Group Brasil ampliou as visitas à sua fábrica em Araquari, Santa Catarina, incluindo processos de pintura no roteiro, o que destaca a inovação no setor. Esses esforços, porém, contrastam com a dependência de componentes importados, especialmente da China, para atender à demanda por tecnologias avançadas.
Impacto das Tarifas de Trump no Setor
O relatório da Sindipeças expressa preocupação com as tarifas de 25% sobre importações de veículos e autopeças anunciadas pelo governo Trump, que podem afetar o comércio global. Embora o Brasil mantenha um superávit comercial com os EUA, as medidas protecionistas podem gerar incertezas, especialmente para exportações brasileiras. A Sindipeças recomenda monitoramento contínuo para minimizar riscos aos associados.
“Acompanhar essas medidas revela-se essencial para entender suas implicações na economia brasileira e guiar políticas que minimizem os riscos dos nossos associados”, destaca o relatório. A entidade também defende maior rigor na fiscalização de peças importadas e revisão do regime de ex-tarifário, que reduz impostos para produtos sem equivalente nacional.
Perspectivas para 2025
A Sindipeças projeta desafios para 2025, com possível redução nas importações devido à desvalorização do real e à desaceleração econômica, mas espera crescimento nas exportações para novos mercados. A entidade destaca a necessidade de políticas que incentivem a produção local, especialmente diante do aumento de importações de veículos elétricos e híbridos, que demandam componentes sofisticados.
Para o setor automotivo, iniciativas como as da Volkswagen e BMW reforçam a importância de investimentos em inovação e produção local, mas o déficit comercial evidencia a necessidade de reduzir a dependência de importações, especialmente da China.
Mais informações: Acesse o site da Sindipeças para consultar o relatório completo e acompanhar as atualizações do setor.