Indústria automotiva inicia 2025 com déficit na balança comercial, apesar de crescimento nas exportações

Exportações de veículos leves crescem, mas Brasil registra déficit na balança comercial automotiva em 2025.
Redação QG do Automóvel
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RESUMO POR IA

A indústria automotiva brasileira iniciou 2025 com um crescimento de 51,2% nas exportações de veículos leves, mas registrou déficit na balança comercial, com importações de 38.797 unidades superando as exportações de 27.371. O mercado de veículos leves cresceu 5,1%, impulsionado principalmente por importados, que aumentaram sua participação de 17,7% em 2024 para 23% em janeiro de 2025, o maior índice desde 2012. Enquanto as vendas de carros chineses e argentinos cresceram 30,7% e 31,2%, respectivamente, a produção nacional permaneceu estagnada. O presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, alertou para a necessidade de medidas, como o aumento da alíquota de importação para 35%, a fim de proteger a indústria local e reequilibrar a balança comercial.

 

A indústria automotiva brasileira iniciou o ano de 2025 com um cenário contraditório: enquanto as exportações de veículos leves cresceram expressivos 51,2%, o setor registrou um déficit na balança comercial. Em janeiro, as importações de veículos leves atingiram 38.797 unidades, superando as exportações, que ficaram em 27.371 unidades. Essa diferença de 11.426 veículos a favor dos importados reforça uma tendência que começou em 2024, quando o setor automotivo nacional deixou de ser superavitário.

O mercado de veículos leves no Brasil apresentou um crescimento de 5,1% em janeiro, passando de 152,2 mil para 160 mil unidades na comparação com o mesmo período do ano anterior. Esse aumento, no entanto, foi impulsionado principalmente pelos veículos importados, que tiveram um salto de 25% nas vendas, saindo de 31.031 unidades em janeiro de 2024 para 38.797 unidades no primeiro mês de 2025. Enquanto isso, a demanda por veículos produzidos no Brasil permaneceu estagnada, repetindo as 121,2 mil unidades registradas no início do ano anterior.

Participação dos importados atinge maior nível desde 2012

O reflexo desse movimento foi o aumento da participação dos veículos importados no mercado brasileiro, que subiu de uma média de 17,7% em 2024 para 23% em janeiro de 2025. Esse é o maior índice desde março de 2012, evidenciando a crescente presença de modelos estrangeiros no país.

Ao divulgar os números, o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Márcio de Lima Leite, comemorou o crescimento do mercado pelo terceiro ano consecutivo, com 160 mil emplacamentos de veículos leves em janeiro. No entanto, ele alertou para a necessidade de medidas para frear a escalada dos importados, especialmente os veículos eletrificados chineses. Lima Leite defendeu o retorno imediato da alíquota de importação para 35%, como forma de proteger a indústria nacional.

Carros chineses e argentinos lideram importações

Os veículos chineses foram os que mais se destacaram no mercado brasileiro, com um crescimento de 30,7% nas vendas em comparação com janeiro de 2024, passando de 7.958 para 10.404 unidades. Os modelos argentinos também tiveram alta significativa, de 31,2%, com as vendas subindo de 14.764 para 19.365 unidades. Por outro lado, os carros produzidos no México registraram queda de 25,7%, caindo de 3.491 para 2.595 unidades.

A diferença entre as importações da Argentina e da China está no fluxo comercial. Enquanto o Brasil exporta veículos para a Argentina, o comércio com a China é praticamente unilateral, o que tem contribuído para o déficit comercial do setor automotivo brasileiro.

Produção nacional poderia crescer mais sem pressão dos importados

Lima Leite destacou que a produção nacional de veículos poderia ter crescido acima dos 15% registrados em janeiro se as importações não tivessem mantido um ritmo acelerado de expansão. O presidente da Anfavea reiterou que esse é um desafio que persiste desde o ano passado e que exige atenção imediata para evitar impactos negativos na indústria local.

Enquanto o setor comemora o crescimento das exportações, impulsionado principalmente pela demanda argentina, o aumento das importações e a estagnação das vendas de veículos produzidos no Brasil acendem um alerta para a competitividade da indústria automotiva nacional. O cenário de 2025 sugere que o país precisará adotar estratégias eficazes para equilibrar a balança comercial e fortalecer a produção local diante da crescente concorrência internacional.

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